08/01/2013

Resenha: A Vida em Tons de Cinza - Ruta Sepetys

Título original: Between Shades of Gray
Gênero: Romance/Drama
Páginas: 240
Editora: Arqueiro
Classificação: 5/5
O livro A Vida em Tons de Cinza, de Ruta Sepetys, se inicia contando a história da jovem Lina Vilkas, uma lituana de 15 anos. Lina alimenta muitos sonhos, sendo um deles cursar artes, já que possui um dom artístico admirável. Porém, a noite de 14 de julho de 1941 faz com que todos os seus planos e desejos mais ínfimos escorram pelo ralo...

Na região do Báltico, mais precisamente nos países da Estônia, Letônia e Lituânia, está ocorrendo um grande motim. A polícia secreta soviética, intitulada NKVD, está invadindo todas as casas e deportando os seus moradores. Junto com sua mãe Elena, e seu irmão de 10 anos, Jonas, Lina é colocada em um trem com destino a um gulag na Sibéria, em condições desumanas.


No gulag, os deportados sofrem inúmeros maus-tratos e violência por parte dos soviéticos, e são obrigados a trabalhar arduamente, de criança à idoso, para ter direito a uma pequena porção de pão e nada mais. A única coisa que os resta é a fé e esperança de dias melhores, por mais que o sofrimento os mingue. E são esses sentimentos que movem Lina e a fazem acreditar que pode tentar se comunicar com o seu pai, que também foi capturado pela NKVD, através de mensagens codificadas presentes em seus desenhos.

A Vida em Tons de Cinza é um romance tenso e emocionante, que nos revela o quanto esse povo sofreu nos gulags  e mesmo assim não perderam sua dignidade e apoio mútuo. Um terço da população báltica foi exterminada durante o reinado de Joseph Stalin, um comunista que tinha como objetivo expandir o socialismo pela Rússia, e por conseguinte, nos demais países. Todos eram obrigados a adotar o seu regime, e aqueles que se opusessem ao seu governo, eram presos, exilados e executados. Ele também tomou posse integral de propriedades agrárias, incentivando a construção de indústrias que beneficiassem a economia do país.

Narrado em primeira pessoa pela Lina, temos uma clara noção do que ela, sua família e seus amigos  passaram com a ocupação soviética. Eles foram escravizados e torturados, tirados de sua terra e postos em um trem com o rótulo de "ladrões e prostitutas." Trabalharam arduamente, sendo que muitos adoeceram e vieram a falecer, justamente pela falta de descanso e alimentação rala e sem nutrientes, baseada apenas em pão. Qualquer queixa ou lamentação era motivo para serem assassinados friamente, na frente de todos, sem o mínimo de piedade. Crianças eram humilhadas e agredidas, apenas para o bel-prazer dos soldados da NKVD, sem contar que muitas mulheres eram obrigadas a ceder à favores sexuais para protegerem suas vidas e a de seus filhos.

Lina passou por muitas dessas coisas, e permaneceu firme e forte, dando apoio incondicional a sua mãe e seu irmão. O combustível que a move é a esperança de encontrar o seu pai, enviando vários desenhos codificados para tentar se comunicar com ele e trazê-lo para junto de sua família. Sua mãe, Elena, é uma mulher guerreira, e ao mesmo tempo, doce. Ela sofre demais, mas mesmo assim se torna uma fonte inesgotável de amor e afeto para todos a sua volta, e um porto seguro para os seus filhos. Seu irmão, Jonas, também é um garoto adorável e que amadurece devido a situação cruel em que se encontra. E como um oásis no meio do deserto, surge o romance de Lina e Andrius, de forma sutil e leve, que encanta, emociona e traz uma brisa suave em meio a tanto conflito e ausência de paz.


"Dois soviéticos vinham arrastando um padre pela plataforma. Suas mãos estavam amarradas, a batina estava suja. Por que um padre? Mas, pensando bem... por que qualquer um de nós?"

Em pauta, A Vida em Tons de Cinza é um livro que nos fala, acima de tudo, sobre o amor. Por mais que essa nação sofresse, eles eram moldados por muita fé, esperança e altruísmo, mesmo com um cenário apocalíptico ao seu redor. A sua única - e maior arma - eram tais sentimentos, que se mostraram tão fortes e potentes ao longo da história. Gostei muito da capa do livro, que nos remete bem a essência do enredo, e a diagramação também está ótima, sem erros e com fonte em tamanho agradável. Um romance emocionante, que nos traz um grande exemplo de bondade e perseverança, e que eu recomendo, com certeza!

Confira um vídeo da autora falando um pouco mais sobre o livro:


11 comentários:

  1. Esse livro é lindo! Já li e resenhei ele a algum tempo! Ele é maravilhoso! Eu particularmente gosto muito de livros que retratam as épocas da guerra. Me emocionei e muito com esse livro da Arqueiro!!! Lina é forte, uma verdadeira heroína...

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  2. Comprei esse livro pra mim e presenteei uma pessoa que adorou !!!!
    Ainda não li mas adoro esse tipo de história.... vou tentar ler o quanto antes...adorei sua resenha!

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  3. Boa noite Nessa,

    Li e resenhei esse livro no blog e gostei demais, esta entre os meus favoritos, uma história tocante....parabéns pela sua resenha....abçs.


    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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  4. Este livro é demais sua resenha so venho para somar ...parabéns Nessa

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  5. Vanessa, eu não imaginava que ela era a autora do livro, gostei!
    É um livro que está na minha lista..quero ler.
    Gostei de ler sua resenha, querida.
    Beijos

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  6. uau pelo visto o livro é bom mesmo
    pena que nao é mt meu estilo

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  7. Oie amiga.
    Parabéns pela resenha.
    Quero muito ler esse livro.
    Beijos

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  8. Adorei sua resenha! Sou apaixonada por esse livro, sem dúvidas um dos melhores que li no ano passado. É uma leitura intensa que me fez chorar muito!

    Beijos
    @PollyanaCampos
    entrelivrosepersonagens.blogspot.com

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  9. Eu ainda não li esse livro mas amei a resenha. Gosto de ler e esse livro já está marcado para leitura posterior.

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  10. Olha nunca ouvi falar desse livro mas com essa resenha maravilhosa eu vou compra-lo .

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  11. Já vi este livro para comprar, e fiquei curioso sobre ele e como a capa é tao simples, mas guarda um grande significado. Se não me engano esta mulher, Ruta Sepetys, passou na band eu acho, numa daquelas reportagens sobre nazismo e outras milicias, falando como era que os militares faziam e tudo. Este livro me lembrou A Menina que Roubava livros, e fiquei com vontade de ler. Gostei da resenha. bjos ;D

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