29/01/2014

Resenha: O Palácio da Meia-Noite - Carlos Ruiz Zafón

Título original: El palacio de la medianoche
Gênero: Romance juvenil
Páginas: 272
Editora: Suma de Letras
Classificação: 5/5
Comprar: Submarino
Em O Palácio da Meia-Noite, segundo volume da Trilogia da Névoa, do espanhol Carlos Ruiz Zafón, conhecemos uma história envolvente e ao mesmo tempo, apavorante, com um pano de fundo sombrio, o que só contribuiu ainda mais para o teor soturno e misterioso da trama. Apesar de se tratar de um romance juvenil, o livro é recomendado para todas as faixas etárias, por se tratar de uma aventura eletrizante, dotada de elementos mágicos e impactantes.

A história se inicia em maio de 1912, em meio a uma perseguição pelos becos de Calcutá. Um homem corre contra o tempo para salvar dois bebês recém-nascidos que estão agasalhados em seu casaco, e sofre grave perigo de vida. Ele deixa as crianças abrigadas com a avó delas e acaba dando o seu último suspiro. As duas crianças são irmãos gêmeos e acabam sendo separadas como forma de despistar o espírito maligno que as persegue. A garota, Sheere, fica sob a tutela da avó, Aryami Bosé. Já Ben é enviado para um orfanato.

A história avança para 1932, que é onde acontece o reencontro entre Ben e Sheere. No orfanato em que o garoto é criado, quando um órfão completa 16 anos, ele é obrigado a abandonar o local e seguir a sua vida adulta. Ben faz parte de um grupo formado por sete adolescentes, intitulado Chowbar Society, em que os membros tem por missão ajudar uns aos outros, independente da gravidade da situação que venham a enfrentar. No seu último encontro com o grupo, no Palácio da Meia-Noite, Ben acaba por reencontrar Sheere, que vem a se tornar membro da sociedade, e por conseguinte descobre o seu grau de parentesco com a moça e detalhes sobre a trágica história que os separaram, envolvendo um terrível acidente em uma estação de trem e uma maldição sem precedentes. O Chowbar Society não só protege uns aos outros, como também compartilham todos os seus segredos entre si, e não hesitam, por um minuto que seja em ajudar Ben e sua irmã a escapar dos perigos que os cercam, embarcando assim em uma aventura intensa, onde a amizade e a coragem serão colocadas à prova e onde conhecerão o temível Pássaro de Fogo, algo que nunca sequer imaginaram existir e terem de enfrentar.


"Os lugares que abrigam a tristeza e a miséria são o lar predileto das histórias de fantasmas e aparições. Calcutá guarda em seu rosto obscuro centenas dessas histórias, que, embora ninguém tenha coragem de confessar que acredita nelas, sobrevivem na memória de gerações como a única crônica do passado. Poderíamos dizer que, iluminada por uma estranha sabedoria, a gente que habita suas ruas compreende que a verdadeira história desta cidade sempre foi escrita nas páginas invisíveis de seus espíritos e de suas maldições caladas e ocultas."

O Palácio da Meia-Noite nos traz uma história marcante e intensa, com um toque bastante sombrio e alguns elementos sobrenaturais intercalados entre si que conseguiram prender a minha atenção do início ao fim e me tornar ainda mais fã da escrita de Zafón e da sua criatividade inquestionável. Os personagens são adolescentes encantadores, bondosos e dotados de uma lealdade ímpar. Narrado em terceira e também em primeira pessoa por Ian - um dos membros da Chowbar Society, alguns anos depois do ocorrido -, acompanhamos uma aventura eletrizante, repleta de terror e mistério.

Ben e Sheere foram separados ainda recém-nascidos. Ele foi para o orfanato, onde assim conseguiria ficar oculto do assassino de seu pai. Já Sheere foi criada com a avó e levou uma vida errante, o que só a tornou bastante solitária. Apesar de terem seguido caminhos diferentes, quando se reencontram são unidos por um forte afeto e ternura, que se acentua ainda mais com o laço de amizade que os ligam aos membros do Chowbar Society e com os perigos que ambos correm. Os personagens são encantadores e é praticamente impossível dizer qual deles foi o meu preferido, já que todos possuem imensas qualidades e uma lealdade fora de série. E as adversidades que eles enfrentam são apavorantes, beirando o terror mesmo, e independentemente disso acompanhamos uma coragem avassaladora e sem tamanho, o que me deixou ainda mais cativada por cada um deles.

Em O Palácio da Meia-Noite, Zafón conseguiu criar uma trama repleta de suspense, com muitos perigos, cenas sobrenaturais e uma maldição torturante, resultando em um livro esplêndido e avassalador. O fato da história se passar na mística Calcutá só a tornou ainda mais sombria e envolvente, contando com a descrição dos becos e vielas do local, dando todo um ar fantasmagórico para o enredo. A narrativa foi construída de tal forma que consegue nos transportar para dentro dela, tamanha a riqueza de detalhes e a fluência e visceralidade do texto, e os personagens foram talhados com maestria e delicadeza, dotados de personalidade e de sentimentos puros e verdadeiros. A capa é muito bonita e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!

Confira a resenha do volume anterior da Trilogia da Névoa:

► O PRÍNCIPE DA NÉVOA


12 comentários:

  1. Oie Nessa =)

    Eu me sinto uma ET, por nunca ter lido nada desse autor =/

    Tenho A Sombra do Vento em ebook, mas não sobra tempo para eu conseguir descobrir o que esse autor tem que todo mundo ama os livros que eles escreve rs...

    Ótima resenha!!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary


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  2. Oi, eu não conhecia este livro. Na verdade eu ainda não li nada deste autor, mas estou com um monte de livros dele para ler e irei ler. Gostei muito da resenha, que bom que você gostou do livro.

    Espero ler logo :)

    Beijos.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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  3. Zafón sempre faz esse jogo com o sombrio, a escrita dele é maravilhosa. Até o momento só li A Sombra do Vento, mas pretendo ler essa série.

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  4. Não conhecia o livro
    Mas parece ser muito bom

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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  5. Olá Nessa mais novidades em hein...este livro é muito bom e recomendo ele tem uma leitura que nos deixa envolvido plenamente na historia .

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  6. Oi Nessa, gosto de narrativa que nos trans´porta para dentro do livro e acho isso mágico, hehe..
    Ainda não li nada do autor e quero ler muito Marina ou talvez o primeiro livro desta série..

    Beijos Mila
    http://dailyofbooks.blogspot.com.br/2014/01/filme-menina-que-roubava-livros.html

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  7. Oieee =)
    bem os livros do Zafón dispensa comentários, amo!
    Beliscões da Máh ♥
    Blog
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  8. Terror, mistério, suspense é tudooo comigo. Por isso, acho que iria gostar muito desse livro e além disso da escrita do autor de forma geral, já que dizem ser muito boa. Vi que gostou muito do livro e estou precisando de algo assim para ler.
    Vou anotar a dica. Ótima resenha, muito bem escrita.
    Beijos!
    Paloma Viricio-Monólogo de Julieta.

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  9. Zafón é um mago,seus livros sempre tem bons comentários e ninguém que leia não se apaixona
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  10. Oi, nessa! Comprei um livro do autor há pouco tempo e estou super ansiosa para lê-lo, diante de comentários tão bons que ouço da escrita e criatividade de Zafón. Gostei da sua resenha e fiquei interessada pela trilogia.

    Um beijo!
    Doce Sabor dos Livros - Aguardo sua visita!

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  11. Oie!

    É uma vergonha, mas ainda não li nada do autor. Quem sabe eu começo com esta série.

    Beijos*

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  12. Menina! Adoro Záfon fico louca qdo falo de Marina, a trilogia da Sombra do vento e a pessoa desconhece rs li essa da Névoa em pdf mas ainda não terminei Las Luces De Septiembre.
    E ainda pretendo ter todos dele!
    Sua resenha como sempre está ÓTIMA!
    Bjs

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