01/04/2015

Resenha: Virando o Jogo - Mônica de Castro

Edição: 1
Ano: 2012
Gênero: Romance espírita
Páginas: 424
Editora: Vida e Consciência
Classificação: 3/5
Comprar: Saraiva
O livro Virando o Jogo, romance espírita de Mônica de Castro, ditado pelo espírito Leonel, nos traz uma história repleta de reviravoltas e que nos mostra o triunfo do bem sobre o mal. Confesso que a obra não me agradou por completo, visto o teor de violência presente em seu enredo e  sobretudo as características de seus personagens, que soaram surreais demais e me desagradaram em muitos momentos.

Um dos maiores pecados que o homem pode cometer é a sede pelo poder. Isso o cega, faz com que não sinta e perceba nada a seu redor e o pior de tudo: lhe desperta um sentimento deveras inescrupuloso - a inveja.

Nas esferas espirituais, ocorre uma verdadeira batalha entre o bem e o mal. O mal, em sua real essência, não existe e sim uma profunda e desarraigada ilusão da matéria, que acaba por espalhar terror e violência por toda parte. Não importa  quão vis e manipuladoras sejam as estratégias do mal; o bem sempre vence no final.

Essas impressões nada mais são do que o relato de Régis. Em outras encarnações, ele cometeu os mais diversos tipos de malefícios, mas acaba por receber uma oportunidade para fazer tudo diferente. É claro que algumas de suas características anteriores não poderiam ser apagadas por completo, o que resulta em sua índole rebelde e imatura. Poderá o verdadeiro amor conduzi-lo a uma jornada de redescobertas e reavaliação de seus valores?

Virando o Jogo é, por assim dizer, um livro pesado. Em suas entrelinhas, acompanhamos todos os tipos de atrocidades possíveis e o que mais me chocou foi o fato de acontecerem coisas ruins com pessoas boas. Sei que tem uma explicação espiritual para tudo isso, baseando-se em reencarnação e outros mistérios espíritas, mas o fato é que a minha mente não conseguiu, ou melhor, não estava apta para processar tudo isso. Logo de início, ocorre um terrível estupro na trama, o que quase me fez abandonar a leitura do livro, mas como sou uma leitora corajosa (cof...cof...), resolvi ir até o fim. Narrado em terceira pessoa, de forma bem descritiva e com várias notas de rodapé interessantes - ajudando o leitor a se situar na história -, o livro é bom, mas possui uma violência quase que gratuita em suas páginas e deixou a desejar na temperança de seus personagens.

A mãe de Régis, Geórgia, é uma pessoa boa demais, daquele tipo que soa até surreal, fora de sintonia. Não que eu não acredite na bondade humana, até porque temos inúmeros exemplos todos os dias, porém esperava que ela fosse uma mulher mais enérgica e que tomasse algumas medidas cabíveis para a sua situação. Régis, por sua vez, é um adolescente rebelde e que comete vários erros, mas a presença de sua mãe e de sua avó tem um efeito miraculoso sobre ele, fazendo com que o jovem procure despertar o melhor de si. O romance que surge na história é bem leve e sutil e foi bem estruturado, mas não passa muito disso, ou seja, não chega a ser algo denso ou marcante.

Em síntese, Virando o Jogo é um bom livro, mas infelizmente não foi uma das melhores obras espíritas que eu já li. Ele possui uma alta carga de violência que me chocou bastante, bem como personagens que poderiam ter sido mais desenvolvidos no contexto da trama. A capa é bonita e retrata bem o protagonista da história e a diagramação está ótima, com fonte em tamanho adequado e revisão de qualidade. Apesar das ressalvas, não deixo de recomendar.

11 comentários:

  1. Não me sinto atraída por romance espirita, mas confesso que nunca dei uma chance para saber se vale a pena. Não conhecia o livro, gostei da sinceridade da sua resenha, fiquei curiosa para saber mais sobre a violência do livro mas não sei se daria uma chance para a leitura.

    Obrigada pelo carinho. Beijos :*
    Claris - Plasticodelic

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  2. Ai, sua resenha ficou ótima! Mas acho que não leria. Eu não curto muito essa coisa de romances espíritas sabe?

    A história do cara lá me chamou bastante atenção, só que mesmo assim não me senti muito atraído pela leitura :/

    Bjs!

    http://leiturasilenciosaoficial.blogspot.com.br

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  3. Achei interessante o livro. Vou tentar ser uma leitora corajosa como vc e vou procurar para ler.
    Fiquei bem curiosa quando vc escreveu que é um livro pesado.

    Bjos

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  4. oi flor, fiquei até admirada, me geral os livros espiritas tendem a ser mais leves, com mensagens mais subliminares
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  5. Oi Nessa!
    Que pena que não gostou tanto do livro....
    Bjks!

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  6. Uma capa e um enredo tão interessantes, uma pena que tu não gostou do livro. Mas eu confesso que também não curti muito a vibe do livro não, acho não leria.
    Mil Beijos!
    http://pensamentosdeumageminiana.blogspot.com.br/

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  7. Pela capa eu imaginaria diversas histórias, mas nenhuma ligada ao espiritismo :)
    Provavelmente não leria, especialmente por ter um conteúdo tão pesado
    bjos
    Pah
    Lendo e Escrevendo

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  8. Eu amo livros espíritas, mas acho que desse não ia gostar. Toda essa violência, já começando com um estupro, me deixariam bem chocada. Com tantas opções, escolheria outro livro do gênero.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  9. Olá Nessa,

    Não conhecia o livro, mas além de não fazer o meu estilo não gosto da capa...bjs.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Eu adorei, é leitura cheia de muitas emoções do inicio ao fim. Eu recomendo.

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  10. Todos comentam sobre a "forte violência" que o livro traz, realmente tenho que concordar, mas a lição que ele traz é maior que o espanto que causa em alguns momentos. Ótimo livro.

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