11/08/2015

Resenha: A Balada de Adam Henry - Ian McEwan

Título original: The Children Act
Gênero: Romance
Páginas: 200
Editora: Companhia das Letras
Classificação: 5/5
Comprar: Submarino
O livro A Balada de Adam Henry, do aclamado escritor inglês Ian McEwan, nos traz um romance muito bem desenvolvido, envolvendo crise conjugal e um tema extremamente polêmico nos dias de hoje: o embate entre ciência e religião. Com uma escrita notável e, em muitos momentos, até mesmo tangível, a obra de McEwan é profunda e envolvente, além de ser permeada pela ambiguidade moral.

Conhecemos a história da juíza Fiona Maye, especializada em direito de família. Ela é uma profissional voraz, inteligente e extremamente imparcial em seus vereditos, mas na vida pessoal se mostra uma mulher totalmente diferente. Prestes a completar sessenta anos, Fiona se ressente por não ter tido filhos e acompanha, dia após dia, o desmoronamento de seu casamento.

Em meio a sua crise conjugal, Fiona tem que lidar com o polêmico caso de Adam Henry, um adolescente de dezessete anos. O jovem sofre de leucemia e necessita de uma transfusão de sangue para sobreviver. Contudo, seus familiares são testemunhas de Jeová e se opõe piamente a este tratamento. Fiona defende com ímpeto o bem-estar de Adam e repele as crenças de sua família com brilhantismo. Porém, o jovem acaba exercendo forte influência na vida da juíza e se revela um garoto inteligente, culto e sensível que, inclusive, lhe compõe um poema que dá nome ao livro, "A Balada de Adam Henry".

Os sentimentos despertados por Adam acabam por desestabilizar Fiona. O jovem a persegue de modo invasivo, fazendo com que ela exponha sua intimidade e até mesmo quebre alguns dos protocolos jurídicos. Sua trajetória de vida regrada e exemplar acaba saindo fora dos trilhos e Fiona se vê em um emaranhado de fios, tentando recompor sua existência, até então amparada por segurança e solidez.

A Balada de Adam Henry possui um enredo bem contemporâneo, com uma trama intrincada e polêmica que consegue envolver o leitor do início ao fim. A história é densa, possui personagens fortes e intrigantes e um ritmo ágil e coeso, características estas que tornaram a obra primorosa. Narrado em terceira pessoa, de forma contundente e com um desfecho estarrecedor, o livro me surpreendeu positivamente e conseguiu até mesmo me emocionar em algumas de suas passagens.

Fiona, profissionalmente falando, é uma mulher forte, segura de si e com um alto senso de justiça. Conhecida por ser implacável em suas decisões, a juíza não pode relatar o mesmo no que concerne a sua vida familiar. Ela chega aos sessenta anos se culpando por não ter sido mãe e ter dado vazão mais a carreira profissional do que a vida pessoal em si. Em sua zona cinzenta de autopunição, juntam-se ainda a carência afetiva e a traição de seu esposo, Jack. O caso de Adam Henry lhe chega em um momento conturbado de sua existência e consegue desestabilizá-la ainda mais. O jovem garoto acaba por exercer uma influência muito grande na vida de Fiona e lhe desperta sentimentos novos, bem como indagações demasiadamente controversas. Tanto Adam quanto Fiona são personagens bastante intrigantes e que abrilhantam de forma peculiar o enredo de Ian McEwan. Suas ideias, concepções, atitudes e pensamentos enriquecem a trama e lhe trazem uma conotação bastante notável e memorável, por assim dizer.

Em síntese, A Balada de Adam Henry mostra todo o talento de Ian McEwan e se revela um verdadeiro clássico devido ao teor polêmico e ao mesmo tempo refinado de seu enredo. A narrativa é ágil, voraz e envolvente, o que contribuiu de maneira considerável na absorção da história em si, a tornando impactante e inteligente. A capa nos traz a gravura da escadaria de um tribunal, o que retrata bem a essência do livro e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!

11 comentários:

  1. Oi Nessa!
    Adorei o tema do livro, nunca tinha ouvido falar nesse título. Dica anotada!
    Beijos,

    Priscilla
    http://infinitasvidas.wordpress.com

    ResponderExcluir
  2. oi flor, tudo bem? não sei, mas ja estou super emotiva com o enredo, acho que é uma leitura que eu preciso nesse momento!
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  3. Olá Nessa,

    Esse livro está na minha lista de desejados e essa é a segunda resenha positiva que leio dele, ótima resenha.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  4. Oi Nessa!
    Menina, não sabia nada sobre esse livro! Gostei muito da resenha, fiquei curiosa com o enredo \o/
    Bjks!
    http://www.historias-semfim.com/

    ResponderExcluir
  5. Oi Nessa!
    Já tem um tempo que tenho vontade de conhecer a obra do Ian, mas não sabia exatamente por qual livro começar. Acredito que sua resenha conseguiu abordar muito bem os pontos importantes do livro e o quanto essa história é instigante já que me deu toda uma perspectiva quanto a narrativa e me deixou bastante curiosa.
    Vou adicionar a lista de leitura.

    Beijos
    http://numrelicario.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Oi Nessa,
    não conhecia o livro, mas acho que não iria gostar tanto da leitura, mesmo o tema sendo interessante.

    bjos
    http://blog.vanessasueroz.com.br

    ResponderExcluir
  7. Oi Nessa!
    Já tinha visto algumas pessoas falando desse livro mas nunca li uma resenha, fiquei super animado em ler, parece ser sensacional.
    Abraço!
    Leitura Fora De Série

    ResponderExcluir
  8. Oie
    Já vi varias pessoas falando sobre este livro, e vejo que o tema é bem interessante. Tenho vontade de ler.

    Beijos

    ResponderExcluir
  9. Hey, Nessa!
    Já ouvi muitos elogios sobre o autor, dele acho que vou tentar ler "Reparação",primeiro pelo menos, se eu gostar com toda certeza lerei esse.
    Amei a resenha.
    beijão

    http://www.leituraseloucuras.com.br/

    ResponderExcluir
  10. Oi Nessa,
    Adorei a temática do livro!
    Gosto quando autor expõe questões polêmica e já li vários elogios sobre o Ian...

    Ótima resenha.

    bjs e tenha um ótimo final de semana
    Nana - Obsession Valley

    ResponderExcluir
  11. Temas arrebatadores para se tratar em um livro. Mas pelo que ouço falar dele... O livro deve ser bom!

    exploradoradelivros.blogspot.com

    ResponderExcluir