02/06/2016

Resenha: Mar da Tranquilidade - Katja Millay

Título original: The Sea of Tranquility
Gênero: Romance/Young Adult
Páginas: 368
Editora: Arqueiro
Classificação: 5/5
Comprar: Submarino 
O livro Mar da Tranquilidade, romance de estreia da americana Katja Millay, nos traz um enredo sensível e tocante sobre dois adolescentes bastante atípicos, mas com uma forte conexão entre si. Com uma narrativa fluída e envolvente e personagens fortes e bem temperamentais, a trama de Katja Millay conseguiu me ganhar do início ao fim e me propiciar uma excelente leitura.

A jovem Nastya Kashnikov foi privada de um dom que ela tanto amava e desde então, perdeu sua voz e gradativamente sua própria identidade. Dois anos e meio depois de tudo o que lhe ocorreu, ela se muda para uma nova cidade e decide manter seu segredo sombrio no passado, além de não deixar ninguém se aproximar.

Porém, os planos da jovem vão por água abaixo quando ela conhece um rapaz tão antissocial quanto ela. Ninguém se aproxima de Josh Bennett, tal como se ele tivesse um campo de força ao seu redor e isso deixa Nastya intrigada e, claro, inexplicavelmente atraída pelo rapaz. Diferente de Nastya, a história de Josh não é uma incógnita para ninguém: o jovem perdeu todas as pessoas que mais amava nesta vida. Agora, com 17 anos, não lhe restou ninguém e as pessoas o repelem, como se ele fosse uma espécie de sinônimo da morte, com exceção de seu melhor amigo, Drew, e inesperadamente de Nastya. À medida que a inegável atração entre Josh e Nastya fica mais forte, o garoto passa a indagar se um dia irá descobrir os segredos por detrás da bela e exótica russa e se é isso realmente o que ela deseja...

Mar da Tranquilidade nos traz uma história intensa, rica e magistralmente construída. O romance de estreia de Katja Millay foi eleito um dos melhores livros de 2013 pela School Library Journal e todos os elogios a seu respeito fazem jus a grandiosidade da obra, tecida com uma beleza ímpar e ostentando um relato emocionante sobre o poder da amizade, do amor e das segundas chances. Os personagens são quase que palpáveis e nos apresentam facetas de coragem e bravura, qualidades essas que os consagraram dentro do enredo. Narrado em primeira pessoa por Josh e Nastya sob pontos de vista alternados e de forma a torná-los íntimos do leitor, o livro conseguiu me conquistar e encantar e se tornou um dos meus favoritos.

"As pessoas gostam de dizer que o amor é incondicional, mas isso não é verdade. E mesmo que fosse incondicional, o amor nunca é de graça. Sempre vem acompanhado de uma expectativa. Todo mundo sempre quer algo em troca. Tipo, querem que você seja feliz, ou o que for, e isso nos torna automaticamente responsáveis pela felicidade dos outros, porque eles não serão felizes a menos que você também seja. Você tem que ser quem eles pensam que tem que ser e se sentir do jeito que eles pensam que tem que se sentir, porque eles amam você. E quando você não consegue dar o que eles querem, eles ficam infelizes, e aí você também fica infeliz e todo mundo fica infeliz. Eu só não quero ter essa responsabilidade."

Nastya passou por uma situação traumatizante e que a afetou de diversas formas. Antes, ela era uma exímia pianista e agora não consegue nem mesmo olhar para sua mão esquerda, que outrora foi brutalmente esmagada. Sua perda de identidade funciona como uma espécie de fuga da realidade e isso se reflete em suas roupas pretas e curtas e na maquiagem pesada e carregada, além do fato da jovem não pronunciar uma palavra que seja. Ao conhecer Josh, ela se identifica com o garoto não só pelo isolamento, mas como também pelos traumas e mágoas que o rapaz carrega. A conectividade e a química entre eles é intensa e se torna um elo profundo de força e superação.

Josh, aos oito anos de idade, perdeu a mãe e a irmã em um acidente de carro. Algum tempo depois, a morte acabou levando também o seu pai. Emancipado e isolado em seu próprio mundo, ele tem apenas a companhia de Drew, seu melhor amigo, um jovem sarcástico e com pinta de de bon vivant. Enquanto Nastya é fanática por nomes e seus significados, o jovem é apaixonado por artes e confecções em madeira e tal como dois pássaros feridos, os dois se unem no auge da sua imperfeição em busca de alegria, conforto e felicidade.

Em suma, Mar da Tranquilidade se mostrou um livro tocante e profundo. A escrita de Katja Millay é dotada de sensibilidade e, em alguns momentos, tem até mesmo uma certa conotação poética. Seus personagens foram muito bem construídos e nos encantam pela forte química entre si. Vale destacar também Drew, que se mostrou uma grata surpresa dentro do livro, além de ser dono de um bom coração. A capa é muito bonita e nos traz as faces dos protagonistas desenhadas com sorvete e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!

4 comentários:

  1. Oi, oi Nessa.
    Já ouvi falar muito bem desse livro e o quanto ele é gostoso e tocante, sua resenha me fez querer lê-lo ainda mais! Amei :D
    Beijos!
    Borboletas de Papel | Fanpage

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  2. Oi Nessa, este livro é lindo mesmo! Li no ano passado e me emocionei, recomendo para todos que conheço, sem falar que a capa é linda.
    Bjs!

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  3. oi Nessa, eu ja gostei desse livro de cara, mas acabei me esquecendo dele por um tempo (vergonha), mas vou me redimir e comprá-lo em breve
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  4. Oi Nessa!
    Tava lendo esse livro mas ai com as parcerias e faculdade dei uma parada. To meio arrependido, pelo jeito é ótimo mesmo.
    Abraço!
    Leitura Fora De Série

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