19/04/2017

Resenha: Último Turno - Stephen King

Título original: End of Watch
Gênero: Suspense/Sobrenatural
Páginas: 344
Editora: Suma de Letras
Classificação: 4/5
Comprar: Submarino
Em Último Turno, terceiro e último volume da trilogia Bill Hodges, de Stephen King, nos deparamos com uma história repleta de suspense e tecnologia e com leves pinceladas de sobrenatural. Os personagens continuam mantendo as mesmas características de outrora e mostram toda a sua destreza e crueldade. Porém, talvez eu tenha ido com muita sede ao pote após me deparar com os outros volumes da trilogia, pois esperava algo a mais deste desfecho final e confesso não ter tido minhas expectativas totalmente supridas.

Brady Hartsfield, o temível Assassino da Mercedes, permanece há cinco em uma clínica de traumatismo craniano em estado vegetativo. Sob o olhar clínico dos médicos, é praticamente impossível que um dia ele se recupere. Porém, por trás da expressão catatônica e imóvel, Brady oculta o seu despertar e os terríveis poderes que adquiriu, capazes de instaurar o caos sem que ao menos ele precise deixar a cama do hospital.

O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação junto com Holly Gibney, a responsável por desferir o golpe que deixou Brady atrelado ao hospital. Quando os dois são chamados para resolver uma misteriosa cena de suicídio que tem relação com o Massacre do City Center, logo se vêem envolvidos em um caso tenebroso e que se figura como um dos piores de suas carreiras de investigadores. Brady - de forma misteriosa e contrariando todas as possibilidades - está de volta, e não pretende se vingar apenas de seus inimigos, como também de uma cidade inteira.

Último Turno nos traz um desfecho interessante para a saga de Stephen King, apesar de não ter sido tão eletrizante e assustador quanto eu esperava. Brady conseguiu ficar ainda pior do que no começo da série, se mostrando um vilão sem precedentes e com uma sede implacável por vingança. O fato dele ser dotado agora por poderes sobrenaturais conferiu um tom aterrorizante para a trama, mas tão especialidade não foi tão bem trabalhada quanto eu gostaria. Bill, Holly e Jerome estão cada vez mais inteligentes e perspicazes, mas confesso não ter curtido tanto assim o final criado para eles. Narrado em terceira pessoa, de forma bastante descritiva e fluente, o livro seguiu uma linha bem interessante e macabra, porém eu esperava por algo mais.

Brady, misteriosamente, possui poderes telecinéticos macabros e quase que tridimensionais. Não sabemos se ele é um primo distante e malvado da nossa querida Carrie, mas o fato é que por meio de aparelhos de minigames conhecidos como Zappit, ele consegue invadir a mente de várias pessoas e induzi-las de forma bastante persuasiva ao suicídio. Suas primeiras vítimas são os sobreviventes do Massacre do City Center e as quase-vítimas do show de rock que ele tentou literalmente explodir pelos ares e são tais detalhes que o colocam na mira de Bill Hodges. Apesar da mente doentia e soberba de Brady ser dotada de uma inteligência múltipla, havia momentos em que ele mais parecia uma aberração mental do que um vilão em si e isso de certa forma não me agradou. Ok, ele ficou cinco anos amargando um estado vegetativo de demência, mas para ter o dom de se projetar na mente - e, em alguns casos, tomar posse até mesmos dos corpos de suas vítimas - ele não mostrou uma destreza tão favorável assim.

Stephen King explora toda a humanidade de Bill Hodges neste volume final, traçando sutilmente todas as fraquezas e pontos fortes do personagem. Gostei dessa abordagem dada ao protagonista principal e de certa forma notei que em sua construção constam alguns traços de Poirot, o famoso detetive da dama do crime Agatha Christie. Os personagens secundários também ganharam certo destaque - por mais que não ofusquem os protagonistas principais -, mas têm suas devidas importâncias embasadas na trama.

Em síntese, Último Turno não foi tudo aquilo que eu esperava e acredito que essa minha opinião venha do fato de eu ter nutrido muitas expectativas acerca do livro. Porém, mesmo não me agradando totalmente, é uma obra bem articulada, tensa e que conseguiu me deixar ansiosa do início ao fim da leitura. Vale ressaltar também que Stephen King faz um trabalho bacana no livro a respeito do suicídio e fornece dados precisos e extremamente válidos para auxiliar as vítimas a prevenir este mal. A capa do livro nos traz um sinistro cardume de peixes - retratando com afinco um dos joguinhos macabros do Zappit - e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Apesar das pequenas ressalvas, não deixo de recomendar.

Confiram as resenhas dos volumes anteriores da Trilogia Bill Hodges:

►MR. MERCEDES
►ACHADOS E PERDIDOS

13 comentários:

  1. Eitaa! Quando você fala em poderes telecineticos eu ja fico com um Olhão kkkk! A pesar de nao gostar muito do gênero acho que essa seria uma boa leitura!

    Blog: http:// infinitoparticulardoslivros.blogspot.com

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  2. Oi Vanessa,
    Nunca li nada do autor, pois não sou muito fã do gênero, mas a trama parece ter algo de interesse, fiquei curiosa para saber como Brady é derrotado.

    *bye*
    Marla
    http://loucaporromances.blogspot.com.br/

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  3. Olá, tudo bem? Poxa, é uma pena que a estória não tenha te conquistado completamente. Quero muito ler algo do King!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  4. Oi Nessa, sua linda, tudo bem?
    Sempre achei o poder de controlar mentes um dos mais perigosos, e pelo visto king explorou o que alguém ruim poderia fazer com esse poder. Eu não me adaptei à Narrativa do autor, mas tem um livro dele que quero muito ler: Joyland. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  5. Oie Nessa =)

    Ahh! Eu meio que já desisti de tentar ler algum livro do King rs... Infelizmente a temática do autor não é uma das minhas favoritas e como eu sou medrosa já viu rs...

    Ótima resenha!

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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  6. linda Nessa, eu realmente não curto os livros do King, os enredos dele não são pra mim
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  7. Oi! confesso que livros do gênero não me agradam muito. Mas me despertam curiosidade. Bjos ❤

    Click Literário

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  8. Oi Nessa
    Estou doida para ler esta série, o enredo me deixa muito curiosa.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  9. Oi Nessa,
    E eu ainda não li nada do Stephen! HAHAHA
    Não é algo que me agrade, mas preciso ler algo por ser clássico, né?
    Ter motivos para falar: gosto ou não gosto.
    Beijo
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  10. Oi, oi!
    Nunca li Stephen King, acredita? Acho que tenho medinho, mas esse livro parece muito interessante, talvez comece por ele.
    Beijos!
    Borboletas de Papel | fanpage - twitter - instagram

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  11. Olá, Nessa,

    uma pena que você não tenha gostado tanto do fechamento da série, eu ainda não a li, mas tenho muita vontade.

    Engraçado essa relação que você fez com a capa e um dos personagens, mostrou que a editora teve bastante cuidado com a editoração. <3

    Beijo,

    Samantha Monteiro
    Degrau de Letras

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  12. oi Nessa! Eu não o livro ainda, mas parece entrar em temas bem interessantes, acho que mesmo quando o King não agrada as pessoas acabam gostando mesmo assim do livro, sempre tem algo que se salve rsrrsrs Foi bom ler a resenha para alinhar minhas expectativas!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante
    Sorteio A guerra que salvou a minha vida

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  13. Olá Nessa,

    Não li nada do autor ainda mas apesar da sua ressalva gostaria de ler esse, e essa capa me agrada bastante...ótima resenha...abraço.


    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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