17/06/2017

Resenha: Razão e Sensibilidade - Jane Austen

Título original: Sense and Sensibility
Gênero: Romance
Páginas: 456
Editora: Martin Claret
Classificação: 5/5
Comprar: Submarino
O livro Razão e Sensibilidade, da escritora inglesa Jane Austen, foi publicado em 1811 e foi o primeiro romance da autora. Conhecemos a história de Elinor e Marianne Dashwood, duas irmãs que representam uma complexa dualidade entre si. Enquanto Elinor é realista, coerente e aparentemente inabalável, Marianne é extremamente sentimental, romântica e sonhadora. As expectativas vividas pelas duas irmãs ao longo do enredo no que se refere a perda, amor e esperança refletem perfeitamente o panorama das mulheres desta época em meio a uma sociedade rígida, onde tentavam se sobressair em meio a tantas injustiças e regras. Mesmo com temperamentos diferentes, tanto Elinor quanto Marianne acabam traçando um destino infeliz por não possuírem influências e fortuna e são obrigadas a transitarem por um mundo dominado por dinheiro e interesses. Porém, são justamente essas dificuldades que acabam amadurecendo as irmãs e as conduzindo por um processo interno de aprendizagem, mostrando que na busca da felicidade é essencial ter tanto razão quanto sensibilidade.

É visível que por meio das personalidades de Elinor e Marianne, Jane Austen quis traçar um ponto de equilíbrio em sua história e para isso enalteceu de forma ímpar as qualidades e defeitos das duas personagens e os contrastes entre elas foram trabalhados durante toda a elaboração da obra. Os personagens que povoam a trama contribuem e muito para a evolução das irmãs, especialmente Coronel Brandon e todo o seu modo cavalheiresco e comedido.

Em Razão e Sensibilidade, Jane Austen ainda não demonstrava os seus sagazes ares de ironia, mas é visível o quanto a autora quis explanar em sua história as desigualdades sociais pertinentes àquela época e fazer uma crítica mordaz a esse respeito. Me baseando em algumas biografias e textos aleatórios que li sobre a autora, me arrisco a dizer que esse é um dos romances mais autobiográficos de Austen, pois retrata muito do que ela e sua irmã Cassandra passaram por descenderem de uma família simples e sem grandes posses. Narrado em terceira pessoa de forma perspicaz e sensível e sem grandes floreios, o enredo retrata com afinco os costumes da sociedade da época, os contrastes sociais e explora a vaidade e o orgulho humano.

Elinor é uma das minhas personagens favoritas de Austen graças a sua força, fibra e responsabilidade. Mesmo apaixonada, ela sufoca os seus sentimentos o máximo possível e procura auxiliar em tudo a sua família, que teve que reconstruir a vida de uma forma mais modesta depois do falecimento do pai. Tanto ela quanto sua irmã são inteligentes, jovens, bonitas e altamente instruídas, mesmo com os contrastes de personalidade entre si. Eu me emocionei bastante com o romance entre Edward e Elinor, porém achei o mocinho da trama fraco e indeciso, mesmo ele tendo se redimido ao longo da história.

"Elinor, a filha mais velha, possuía uma força de entendimento e uma frieza de julgamento que a qualificavam, embora tivesse apenas dezenove anos, para ser a conselheira da mãe, e lhe permitiam com eficiência opor-se, para proveito de todos. Tinha um excelente coração, um temperamento afetuoso e sentimentos fortes; mas sabia como governá-los. As habilidades de Marianne eram, sob muitos aspectos, bastante semelhantes às de Elinor. Era sensível e inteligente, mas intensa em tudo: suas angústias, suas alegrias não tinham limites. Era generosa, agradável, interessante: era tudo, menos prudente."

Marianne é sonhadora, intensa e extremamente romântica. Ela extrapola os seus sentimentos e tem uma vivacidade surpreendente e até mesmo contagiante. O fato de não ter prudência faz com que a personagem se frustre constantemente e por meio dela acredito que Austen quis retratar a época da nossa juventude, onde temos tantos sonhos, desejos e vivemos tão intensamente ao ponto de não nos preparamos para as possíveis consequências de nossos atos. Enquanto Elinor sufoca a sua paixão, Marianne a desfruta da melhor maneira possível e se entrega ferozmente aos seus sentimentos. Willoughby possui a mesma alegria e exuberância da jovem e isso os conecta quase que instantaneamente. Porém, ele esconde um caráter dúbio e intenções frias e ambiciosas. Já o Coronel Brandon é considerado velho pela sociedade da época pelos seus 35 anos, mas possui virtudes encantadoras tais como sensatez e romantismo, além de ser um perfeito cavalheiro com as irmãs Dashwood. Gostei do verdadeiro romance vivido por Marianne e de acompanhar a sua maturidade ao longo da história.

"Não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais do que suficientes para outras."

Resumidamente, Razão e Sensibilidade é um livro que retrata a dualidade entre duas irmãs e a busca de equilíbrio entre elas em meio a uma trama permeada por críticas sociais e nos mostra, acima de tudo, que o extremismo - independente do lado a ser escolhido -, não conduz a verdadeira felicidade e que a temperança é necessária em tudo o que fazemos. Em 1995 foi produzida uma adaptação cinematográfica fidedigna da obra, com os atores Emma Thompson, Kate Winslet, Hugh Grant e Alan Rickman no elenco e que inclusive ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Já em 2008 a BBC produziu o seriado Sense and Sensibility que foi bem aclamado pela crítica, além de ter uma cena inesquecível de duelo entre o Coronel Brandon e Willoughby. A capa do livro é muito bonita e chamativa e a diagramação está excelente, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!

Confira o trailer do filme de Razão e Sensibilidade (1995):





Confira o trailer da minissérie Sense and Sensibility (2008):



7 comentários:

  1. Oi Nessa!
    Eu quero muito ler esse livro.
    Já li 'Orgulho e Preconceito' e sei que será uma leitura complicada, mas sei que vale a pena.
    Jane Austen é clássico né?
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  2. oi Nessa, um livro da Jane sempre é um presente, né?
    que bom que a trama mais uma vez agradou

    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  3. Olá Nessa!
    Jane Austen é a minha autora clássica preferida 💛
    Adoro todos os livros e esse é um dos favoritos! As críticas a sociedade da época só sensacionais e os personagens maravilhos!
    Parabéns pela resenha, beijos!

    Books & Impressions

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  4. Oi Nessa! Jane Austen faz romances de costumes como ninguém! E os diálogos desse livro são ótimos! Minha edição é outra, é um 3 em 1 da Martin Claret, mas eu gosto bastante! Por incrível que pareça, ainda preciso ver o filme rsrsrrss

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. Oi Nessa, tudo bem?
    Adorei a dica! Quero muito ler Jane Austen, mas ainda não tive a chance de conhecer suas obras. Também quero ver o filme e/ou a minissérie haha!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  6. Oi Vanessa,
    Esse não é meu livro preferido da autora, mas ainda assim gostei de lê-lo. Quero conferir as adaptações.

    *bye*
    Marla
    http://loucaporromances.blogspot.com.br/

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  7. Oie Nessa =)

    Fico feliz em saber que você curtiu a leitora de Razão e Sensibilidade. Eu infelizmente tenho um sério problema com os livros da Jane Austen. Por mais elogiados que todos sejam, não consigo me sentir cativada pela narrativa da autora =(

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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