22/07/2017

Resenha: Nem Tudo Será Esquecido - Wendy Walker

Título original: All is not forgotten
Gênero: Suspense psicológico
Páginas: 288
Editora: Planeta
Classificação: 5/5
Comprar: Submarino
O livro Nem Tudo Será Esquecido, da americana Wendy Walker, nos traz um suspense psicológico tenso e intrincado, com personagens bem construídos e delineados e um desfecho surpreendente. Tratando de temas fortes como o estupro e o TEPT (transtorno de estresse pós-traumático), a autora conseguiu nos transportar para dentro do thriller e fazer com que todos os personagens se tornassem potenciais vilões em uma trama repleta de adrenalina e mistério.

Em Fairview, uma pacata e bucólica cidade de Connecticut, tudo parecia perfeito e rotineiro até que a jovem Jenny Kramer foi brutalmente estuprada durante uma festa. Horas depois do episódio violento, a adolescente foi medicada com uma droga controversa com o intuito de que suas memórias sobre a agressão fossem apagadas. Porém, algumas semanas após se curar dos graves ferimentos físicos sofridos, Jenny percebe que guardou em sua mente fatos desconexos sobre aquela macabra noite. Seu pai, Tom Kramer, está obcecado por justiça contra aquele que feriu sua filha e já a mãe, Charlotte, prefere varrer tudo para debaixo do tapete e fingir que o ataque não abalou seu mundo meticulosamente construído. Conforme o tempo passa, segredos sórdidos de família e de pessoas próximas a Jenny Kramer acabam emergindo enquanto se inicia uma busca irrefreável pelo monstro que aterrorizou toda uma comunidade e que pode - ou não - fazer parte dela...

Nem Tudo Será Esquecido nos trouxe uma trama inteligente, bem desenvolvida e por vezes, bastante aflitiva ao abordar um tema forte e angustiante como a violência sexual. Apesar do teor brutal, a autora teve sensibilidade suficiente para construir a história e as nuances de seus personagens, totalizando um enredo eletrizante, mirabolante e estarrecedor. Narrado em primeira pessoa por Alan - psicólogo da Jenny - de uma forma que mescla tanto o olhar clínico do profissional quanto seu lado emotivo ao descrever o suplício de sua paciente, o livro se mostrou um suspense incisivo e ousado que trata de tabus como infidelidade e o poder da manipulação em meio a uma das piores atrocidades que um ser humano pode sofrer.

Não sabemos muito sobre Jenny antes de sofrer a violência sexual, mas a julgar por algumas características da personagem, nota-se que ela era uma adolescente bem convencional, apesar de ostentar uma personalidade um pouco introspectiva. No entanto, após o ocorrido, é visível perceber como sua alma foi cruelmente maculada e como em alguns momentos ela vegeta sobre a casca do próprio corpo, tentando até mesmo o suicídio. Quando ela começa a ser tratada pelo doutor Alan, percebemos traços de revolta e fúria na personagem vindo à tona e apesar de ser um processo exótico e bem contraditório, o tratamento imposto pelo psicólogo com o intuito de fazer a jovem relembrar de fatos que levem ao estuprador - que consiste em agregar uma série de objetos, nuances e cheiros que provoquem uma espécie de regressão na paciente - se mostra produtivo e com resultados aterrorizantes e surpreendentes.

"Somos seres pequenos, inconsequentes. Apenas o lugar que ocupamos no coração dos outros é que nos preenche , que nos dá propósito, orgulho e a sensação de pertencimento."

Apesar de surgir timidamente na história e pouco a pouco ir dando voz ao enredo, Alan se mostra um personagem de suma importância na trama e se revela uma das peças mais importantes do intrincante quebra-cabeças. Acompanhar tanto o seu ponto de vista clínico na trama como as emoções que afloram no psicólogo ao descrever o episódio de violência vivido por Jenny o tornaram bastante humano e sensível com a situação colocada em suas mãos. Tom Kramer, o pai de Jenny, exalta com louvor a imagem paterna e se mostra extremamente protetor com a filha, além de buscar incessantemente justiça pelo ocorrido. A mãe, Charlotte, é bem esmiuçada na trama, tanto no que concerne ao seu passado como ao seu presente, mas não foi uma personagem que tenha me causado tanta apatia e no final acabei nutrindo a impressão de uma mulher bem egoísta e intrinsecamente ligada às aparências.

"Uma vez que os limites se rompem, eles não podem ser reconstruídos. Eles não são paredes feitas de gesso ou tijolo. Eles existem na mente, como palavras que não podem ser desditas"

Em síntese, Nem Tudo Será Esquecido foi um livro que me fez quebrar a cabeça e repensar milhões e milhões de vezes em possíveis suspeitos e acabar dando com os burros n'água, visto que o vilão foi bem incrustado na trama e passou por mim de forma imperceptível. Confesso que não foi uma leitura fácil e que em muitos momentos se mostrou até mesmo bastante intragável devido ao grave teor de violência exposto em suas páginas e apesar de incisiva, a narrativa é bem inteligente e mirabolante. A capa do livro é bonita e consegue chamar atenção para o seu conteúdo e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo ☺

7 comentários:

  1. Oi Nessa
    Não conhecia este livro. Achei o tema dele muito forte, confesso que eu evito este tipo de livro, prefiro histórias mais leves para distrair.

    Beijinhos
    https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  2. oi nessa, fiquei bem curiosa para ver o desenrolar desse jogo psicológico que a autora montou para desenrolar a sua trama
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  3. Oi Nessa, tudo bem?
    Fiquei surpresa com o número de páginas, que não é muito grande, para tratar de um assunto tão tenso e pesado. A história parece muito boa, fiquei curiosa.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  4. Oi Nessa, ao ler a resenha eu fui imaginando se em alguns momentos não teria sido intragável mesmo a leitura devido a violência. Acho que os temas abordados são bem pertinentes e embora ás vezes indigestos é sempre bom debatê-los. Excelente resenha como sempre!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. Oi Nessa, achei a história bem interessante. Adorei o seu post!
    Blog Entrelinhas

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  6. Oi Nessa,
    Que premissa pesada. Mas, fiquei bem curiosa com a forma que a autora aborda os sentimentos da protagonista. Ótima resenha.

    tenha uma ótima semana.
    Nana - Canto Cultzíneo

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