29/12/2017

Resenha: O Menino Feito de Blocos - Keith Stuart

Título original: A Boy Made of Blocks
Gênero: Romance
Páginas: 378
Editora: Record
Classificação: 4/5
Comprar: Saraiva
O livro O Menino Feito de Blocos, de Keith Stuart, nos traz a história do relacionamento entre um pai e seu filho autista, que acaba sendo amplificado graças ao game Minecraft. Inspirado na própria vida do autor - que acabou estreitando os laços de amizade com o filho autista por intermédio dos jogos de videogame - o enredo segue uma linha meio que lad-lit, tendo algumas reflexões bem interessantes e retratando o mundo do autismo com maestria.

O corretor de imóveis Alex ama sua família mais do que tudo e vive em prol deles, entretanto tem muita dificuldade em se comunicar com Sam, o seu filho autista de oito anos. A rotina e a tensão do dia-a-dia acabam desmanchando o seu casamento, pois Jody não aguenta mais a ausência do marido e sua pouca participação na vida do filho. Alex acaba indo morar com o seu melhor amigo, Dan, onde dorme em um dos colchões infláveis mais desconfortáveis do mundo.

Enquanto tenta se adaptar à vida de homem separado, Alex passa a exercer a função de pai em meio expediente e acaba se confrontando com segredos de seu passado. E é justamente nesse ínterim que ele percebe que Sam está cada dia mais fissurado no Minecraft e resolve estabelecer um diálogo com o seu filho a partir desse pressuposto. O que nem ele e nem Jody poderiam imaginar era que o inocente jogo seria o fio condutor de um relacionamento intenso e fluído entre pai e filho.

O Menino Feito de Blocos é um livro extremamente sensível e estruturado, norteado por cenas cômicas e bem cotidianas que mostram que tudo na vida acontece por meio de pequenos gestos e atitudes. O fato do enredo ter sido inspirado na própria história de vida de Keith Stuart trouxe um realismo bacana para a trama, além de uma abordagem clara e coesa sobre o autismo. Narrado em primeira pessoa por Alex no melhor estilo lad-lit e com personagens repletos de erros e acertos, o livro se mostrou uma leitura bem elucidante e válida, principalmente para quem convive de perto com o autismo.

Alex é um pai de família dedicado,  que sempre trabalhou para manter o lar e nunca deixou faltar nada para a esposa e para o filho. Entretanto, ele nunca soube estabelecer um diálogo com o filho e, acima de tudo, lidar com o autismo, deixando tudo a cargo da esposa. Chega um ponto em que Jody fica extremamente sobrecarregada e depois de muitas discussões, decide romper o casamento. E é justamente com a guarda compartilhada do filho que Alex passa a compreender verdadeiramente Sam e a lidar de forma nua e crua com o seu autismo. Ele percebe o quanto deixou tudo nas costas de Jody e decide correr atrás do tempo perdido, enfrentando os seus próprios fantasmas do passado para isso. Alex sintetiza bem o estereótipo de vários pais da atualidade, que acham que sua obrigação é sustentar a casa com dinheiro e comida e que todas as demais preocupações pertinentes ao lar devem ser tratadas pela esposa. Para que ele possa mudar de opinião e enxergar o outro lado da moeda, foi necessário o rompimento do casal, já que a situação estava praticamente insustentável para Jody. Foi muito interessante acompanhar o desenvolvimento do personagem e o seu posterior amadurecimento a partir do momento que inicia sua jornada calçando os sapatos que, por oito anos, pertenceram à sua esposa.

Sam é um menino inteligente, quieto e observador. Suas crises foram explicitadas no enredo com todo o realismo pertencente ao mundo do autismo, sem maquiar fatos ou atitudes. O Minecraft lhe transmite toda a paciência e concentração necessárias e a sua interação com o jogo se torna a válvula propulsora para que ele e o pai estreitem os laços de amizade e afeto. Tal como Alex, ele também evolui de forma considerável dentro da trama e de acordo com suas limitações, propiciando um desfecho emocionante e gratificante.

Em síntese, O Menino Feito de Blocos é um livro extremamente bonito, engraçado e surpreendente sobre família, amizade, amor e autismo. É, acima de tudo, um retrato palpável de um garoto que se deixa ser decifrado do seu próprio jeito e de um pai que desvenda o filho como nunca antes, entendendo o poder da diferença e de se ser especial. A capa do livro é bem condizente com o enredo, nos mostrando um garoto saltando de um conglomerado de blocos para os braços do pai e a diagramação está bem caprichada, com fonte em bom tamanho e poucos erros de revisão/ortografia. Recomendo.


7 comentários:

  1. Oi! Já tinha visto fotos desse livro e não sabia que a história era tão linda. Eu gosto muito de ler sobre o tema, tem uma série na netflix muito boa chamada atypical. Dica anotada! Bjos <3

    Click Literário

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  2. Oi Nessa,
    Essa relação paternal parece bonita de acompanhar, mas essa abordagem do jogo talvez me entendiasse. Quem sabe futuramente.

    Tenha um próspero 2018!
    Nana - Canto Cultzíneo

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  3. Oi Nessa,
    Não conhecia o livro, mas já me interessei.
    Depois que assisti Atypical, fiquei mais interessada nessa temática de autistmo. E este parece um livro sensível e emocionante.
    Beijos e feliz ano novo!!!
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br

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  4. Oie
    Este livro parece ser uma história tocante e que nos faz refletir. Quero muito ler.
    Beijinhos
    https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br

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  5. Oi Nessa, tudo bem?
    Esse livro parece ser tocante. <3
    Não sei se leria no momento, mas fico feliz que tenha gostado.
    Feliz Ano Novo! Que 2018 seja incrível. =D
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  6. Oi Nessa, eu amei esse livro e tirei todo meu preconceito com minecraft tb! Uma uma excelente leitura e adorei a relaçao pai e filho que é construida ao longo do livro!!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. Nossa, amei sua análise do livro. Achei incrível a forma em que pai e filho se aproximaram e pude perceber o quanto esse livro é instigante. Feliz ano novo e muitas realizações. estou seguindo seu blog, bjss!

    www.historiasdaiza.blogspot.com

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