03/12/2017

Resenha: O Perfume da Folha de Limão - Clara Sánchez

Título original: Lo que esconde tu nombre
Gênero: Romance espanhol
Páginas: 400
Editora: Planeta
Classificação: 5/5
Comprar: Submarino
O livro O Perfume da Folha de Limão, da espanhola Clara Sánchez - ganhadora do Prêmio Nadal - nos traz um romance envolvente sobre nazismo, culpa e redenção. Com uma escrita clara e sucinta e nos apresentando um verdadeiro relato do horror vivido nos campos de concentração, o livro nos trouxe um enredo interessante e marcante sobre um dos episódios mais macabros e obscuros de nossa história.

A jovem Sandra está grávida e não sabe que rumo dar a sua vida, afinal ela não ama o pai de seu bebê e nem nutre expectativas sobre o futuro. Com o intuito de arejar suas ideias, ela decide viajar para uma cidade litorânea da Espanha, onde fica hospedada na casa de veraneio de sua irmã. Durante um passeio pela praia, ela conhece o casal de idosos noruegueses Fredrik e Karin Christensen, que a socorrem após ela sentir uma vertigem. Sandra se apega aos Christensen como se eles fossem os avós que a jovem nunca teve e pouco a pouco os laços de amizade entre eles vão se estreitando, a ponto deles oferecem um salário para que a moça acompanhe Karin ao mercado e nas sessões de fisioterapia.

Entretanto, o casal octogenário não é tão inocente quanto aparenta e quando um idoso sobrevivente dos campos de concentração, Julián, chega à cidade para colher informações depois de receber pistas e dados de um de seus amigos, muitas máscaras acabam caindo e mistérios obscuros do passado vêm à tona com força total, mostrando que a inocência de Sandra está lhe colocando face a face com o perigo.

O Perfume da Folha de Limão nos traz um relato de terror sem precedentes, mostrando que a pior espécie de maldade não é oriunda de nenhum recurso sobrenatural e sim das entranhas da raça humana. Através dos olhos de Julián, acompanhamos todo o caos e horror vivido nos campos de concentração na época da Segunda Guerra Mundial e como a vida humana era menosprezada, subjugada e descartada pelo nazismo e seus asseclas, sofrendo as piores barbáries e crueldades por parte deles e de suas experiências macabras. Narrado em primeira pessoa sob os pontos de vista alternados de Julián e Sandra, o romance de Clara Sánchez nos envolve em uma bruma de memória, terror, culpa e redenção.

Sandra foi uma personagem que não me despertou empatia. Fica claro na trama que ela já é uma mulher madura e próxima aos trinta anos, mas o comportamento da moça é extremamente imaturo e adolescente. A aura de inocência da protagonista não me convenceu e tive a leve impressão de que ela se aproximou dos Christensen por puro interesse e tentando se dar bem na vida. Quando ela é abordada por Julián e por seus relatos sofridos na Segunda Guerra Mundial, ela não dá muito crédito ao doce senhor, entretanto, quando começa a perceber algumas características sinistras no comportamento do casal Christensen, começa a investigá-los e descobre muitas de suas atrocidades, sem perceber que está mergulhando cada vez mais no abismo do perigo.

É praticamente impossível não se emocionar com tudo o que Julián e sua esposa, Raquel, viveram sob o domínio dos nazistas. Tratam-de se relatos tão macabros e dilacerantes que chegam a ferir a nossa alma, principalmente por não se tratar de ficção e sim de um episódio aterrorizante e monstruoso de nossa história. Julián surge no no enredo cego de vingança e disposto a tudo para se vingar de seus algozes e a sua fúria é tamanha que rompe até mesmo as barreiras da velhice e de seu corpo frágil. Quando ele percebe que Sandra está entremeada na teia dos Christensen tal como se fosse uma ingênuo inseto, ele junta todas as suas forças para alertá-la e quem sabe, encontrar até mesmo uma aliada na jovem. Ele se mostrou um personagem memorável graças à sua inteligência e destreza e teve um desfecho muito bonito e emocionante. À primeira vista, os Christensen parece ser um casal simpático e doce, mas conforme o passado (e também o presente) do casal vai sendo destrinchado na trama, percebemos que nada é o que aparenta ser e que o mal também envelhece. O que mais doeu em acompanhá-los foi perceber que mesmo durante um intervalo tão grande de tempo, os dois não sentem arrependimento nenhum do que fizeram e dão a nítida impressão de que, se pudessem, fariam tudo novamente.

Em síntese, O Perfume da Folha de Limão é um livro envolvente e nada açucarado, que mostra os horrores vividos na época de Hitler e de seus aliados e o quanto o ser humano pode ser nocivo, cruel e monstruoso. Acima de tudo, nos mostra que o perdão tem mais força e impacto do que a vingança e que o ódio é um veneno que tomamos esperando que o outro morra. A capa é belíssima e nos mostra uma moça caminhando em um lago margeado por um limoeiro e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo ☺

7 comentários:

  1. Oi Nessa, o pior terror é aquele proporcionado pelos humanos mesmo....acho que ficarei dias remoendo esse livro, parece denso, profundo e difícil digestão, mas igualmente de importante leitura. Uma excelente dica.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Oi Nessa, tudo bem?
    Gostei da dica, acho ótimas histórias envolvendo guerra. Mas elas também costumam ser pesadas e tristes, então não é sempre que tô no espírito pra ler. :(
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  3. Oie! Que capa linda.
    Amei sua resenha, gosto muito de ler sobre Hittle tbm! ♥
    Abraços...

    http://submundosliterarios.blogspot.com.br/

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  4. Oi Nessa
    Ainda não conhecia este livro, nossa que a história emocionante deve ser, quando envolve nazismo eu já sei que a história vai ser forte. Gostei do enredo.

    Beijinhos
    https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  5. Oiii Nessa

    Sempre ruim quando a protagonista não convence e a gente fica a leitura inteira sem se sentir plenamente convencida, ainda bem que a história e a escrita da autora te agradaram. De momento, não é meu tipo de livro, ando meio saturada do tema, mas quem sabe mais adiante.

    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com

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  6. Oi Vanessa,
    O título me enganou totalmente. Gostei da sua resenha, mas não sou fã de livros com esse tema então e provável que eu não leia.

    *bye*
    Marla
    http://loucaporromances.blogspot.com.br/

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  7. É triste e engraçado de ver como os livros tem o poder de retratar exatamente esse lado humano. Aliás, eu ouso dizer que não é nada humano essas coisas. Essas maldades e atrocidades.
    Infelizmente é uma dura realidade, isso é triste de se ver.

    Abraços,
    Natalia
    http://www.revelandosentimentos.com.br/

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