13/02/2018

Resenha: Quando Eu Parti - Gayle Forman

Título original: Leave me
Gênero: Romance
Páginas: 308
Editora: Record
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
O livro Quando Eu Parti, da autora Gayle Forman, nos traz um romance maduro e bem delineado sobre uma mulher que se vê sufocada com a sua vida atual e decide se reinventar. Diferente das demais tramas da autora - que seguem a linha young adult -,  Quando Eu Parti nos traz uma história adulta e permeada por dramas, com uma leve pitada de chick-lit. 

Depois de passar por um ataque cardíaco motivado por "n" fatores, Maribeth Klein começa a analisar sua cota de problemas, que vão desde a omissão do marido, o seu relacionamento com a ex-amiga e posterior chefe Elizabeth e a convivência com os seus filhos gêmeos hiperativos. Após passar por uma angioplastia delicada, ela não imaginava que o seu caso fosse mais complexo do que imaginava, principalmente depois de descobrir uma perfuração em uma das artérias e uma lesão grave em uma outra. Após a implantação de duas pontes de safena, a mulher de 44 anos de idade chega a conclusão de que não irá se recuperar caso permaneça com a sua família e levando a mesma vida de sempre e decide arrumar as malas e partir.

Longe das exigências impostas por marido, filhos e pela carreira profissional, Maribeth conquista novas amizades e até mesmo forças para confrontar o seu passado, bem como segredos de outrora. Ela descobre que para realmente ser feliz, ela precisa vencer todos os seus medos e fugir da rotina, saindo da zona de conforto e desafiando o convencional.

Quando Eu Parti se mostrou uma grata surpresa e um livro extremamente interessante. Além de acompanharmos a incursão de Gayle Forman em um outro gênero literário - por sinal, de forma bem promissora e articulada -, visualizamos a jornada de uma mulher com um pouco mais de quarenta de anos se redescobrindo na vida, após se despojar de marido, filhos e de uma carreira profissional desgastante. E, por mais que essa guinada na vida da protagonista se mostre um ato meio que egoísta, acompanhamos o quanto a rotina está lhe afetando drasticamente, ao ponto de quase fazer o seu coração parar de bater enquanto o marido não tenta por um segundo que seja aliviar a sua carga e as demasiadas preocupações. Narrado em terceira pessoa de modo bem intimista e amplo, o enredo nos apresenta a frustração de uma mãe que trabalha fora e que sem contar com o apoio da família, se sente cada vez mais exausta e não apreciada.

Maribeth é uma personagem que não foge do convencional e que sintetiza muito bem a vida de uma mulher do século XXI, que tenta conciliar carreira profissional com a rotina de mãe, esposa e dona de casa. Entretanto, em meio ao dia-a-dia, ela sente a sua essência se desvanecer, principalmente quando toma ciência dos seus problemas com o coração. Ela tenta se recuperar no seio do lar, mas percebe que isso é impossível  e que, de certa forma, os problemas familiares irão agravar ainda mais a sua situação. E é justamente nesse patamar que Maribeth toma uma atitude corajosa e decide se reinventar, priorizando a si mesma, ao menos uma vez na vida. A sua decisão de abandonar a família e se permitir um período de hiato se mostrará reveladora, além de fazer com que a personagem ressuscite antigos sonhos, repense sua vida como nunca antes e até mesmo encontre forças para vasculhar seu passado e encarar de frente velhos segredos. Como disse no começo da resenha, a atitude da protagonista pode soar mesquinha e egoísta para alguns, mas o fato é que a rotina estava matando pouco a pouco a personagem e ela precisava lutar contra isso antes que fosse tarde demais. Isso não significa que ela não amasse sua família ou que fosse uma mãe relapsa, muito pelo contrário: ela percebeu que estava se destruindo e que poderia até mesmo ferir aqueles que amava e tomou uma medida altruísta e deveras libertadora.

Os demais personagens da trama não foram tão bem delineados, ao ponto de não termos um perfil apurado sobre cada um deles, entretanto, é visível que Jason, o marido de Maribeth, deixa a desejar em muitos aspectos. Não que ele seja um marido ruim ou um verdadeiro cafajeste, mas ele não procura olhar para o lado da esposa em nenhum momento, além de não perceber o quanto ela precisa de ajuda e cooperação. Elizabeth foi retratada na história como uma mulher independente e vigorosa e outros detalhes sobre ela se mostraram uma verdadeira incógnita no enredo.

Em síntese, Quando Eu Parti se mostrou um livro maduro, intenso e com um leve toque de humor. Além de ser a primeira experiência de Gayle Forman na ficção adulta, o enredo nos trouxe um retrato apurado sobre a realidade da mulher moderna, com uma abordagem interessante e altamente reflexiva. A capa é simples e nos traz uma sequência de traços coloridos - talvez, querendo ilustrar as frequências cardíacas de Maribeth - e a diagramação está bem satisfatória, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo ☺

12 comentários:

  1. Oiii Nessa

    O legal de livros assim é que sempre nos ajudam a sair da zona de conforto da fantasia/romance. Já ouvi falar super bem dos livros da Gayle e fico feliz em saber o quanto vc gostou, eu curto histórias maduras e intensas e com certeza acho que iria desfrutar bastante da história desse recomeco de vida da Maribeth

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  2. eu gosto bastante dos livros da Gayle, apesar de ainda não ter lido esse ainda a premissa muito me interessa
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Nessa! Eu já tinha ouvido falar da autora antes, mas nunca li nenhum dos livros dela não. Esse, particularmente, não faz muito o meu estilo, mas achei legal a autora se aventurar em outras áreas de escrita. E que bom que vc gostou!

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    ROMANTIC GIRL

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  4. Oi Nessa,
    NOSSAAA, acho que vou adorar a leitura, pois me identifiquei com a fase da protagonista. Espero que seja inspiradora. Gostei do que já li da Gayle.

    bjs
    Nana - Canto Cultzíneo

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  5. Oi
    Parece ser uma leitura interessante e gostei bastante da sua resenha
    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa

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  6. Oi, Nessa. Tudo bem?

    Bom saber que no livro há maturidade e que também refletimos sobre as situações que acontecem.
    É bom dar boas risadas em certos momentos, mas é bom refletirmos e pensarmos melhor sobre determinadas situações.
    Eu não li esse livro ainda, mas quero conferir.

    Beijos,
    Naty
    http://www.revelandosentimentos.com.br/

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  7. Oi Nessa, tudo bem? Eu nunca li nada da Gayle Forman, mas tenho vontade, o pessoas faça muito bem da escrita dela e pela resenha Quando eu parti não decepciona! E gosto de tramas com mulheres mais maduras, parece ser bem interessante!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  8. Eu adoro os livros da Gayle, já quero ler esse com certeza
    Blog Entrelinhas

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  9. Oie Nessa =)

    Infelizmente não me dou muito bem com as narrativas da Gayle. Dos quatro livros que li da autora, gostei só de um então meio que desisti por um tempo das obras dela.

    Mas fico feliz em saber que você aproveitou bastante a leitura ^^

    Beijos ;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library  

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  10. Oi Nessa,
    Não consigo gostar da Gayle :(
    Eles não me envolvem, sabe? Não sei se é a história em si ou a narrativa :(
    Uma pena!
    Beijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  11. Oi, Nessa!
    Ganhei esse livro em um sorteio, confesso que tenho curiosidade pois nunca li nada da autora. Parece ser um livro bem maduro mesmo.

    Beijos
    Eli - Leitura Entre Amigas
    http://www.leituraentreamigas.com.br/

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  12. Olá Nessa,

    Eu acho que só li um livro da autora e confesso que esperava mais, mas depois da sua resenha vou dar mais uma oportunidade...bjs.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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