11/08/2018

Resenha: Carrie, A Estranha - Stephen King

Título original: Carrie
Gênero: Suspense/Terror
Páginas: 200
Editora: Suma de Letras
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
O livro Carrie, A Estranha, de Stephen King, nos traz uma trama muito bem escrita e orquestrada sobre uma garota que é vítima de bullying durante quase toda a sua vida e que, durante um momento crucial, acaba tendo a sua paciência esgotada e destila toda a sua fúria sobre a humanidade. Com personagens bem desenvolvidos e heterogêneos entre si, King nos apresenta uma história inesquecível e incrivelmente traçada, considerada por muitos a sua obra-prima e que já recebeu inclusive, inúmeras adaptações cinematográficas.

Carrie White é uma adolescente tímida e solitária de dezesseis anos que, ao contrário dos demais jovens de sua idade, não pode viver os prazeres e descobertas do mundo devido à implacável intolerância religiosa de sua mãe, Margaret White. A matriarca é uma fanática religiosa que acredita que todas as manifestações de vida ao seu redor se tratam de pecado e reprime a filha em todas as suas atitudes e escolhas. Para Carrie, viver não se mostra uma tarefa nada prazerosa e ela carrega, dia após dia, o peso da culpa e da humilhação.



Para os colegas e professores do colégio, ela é uma menina estranha e problemática, incapaz de conviver socialmente com os demais. Cada vez mais isolada, ela sofre com os deboches e piadas maldosas dos demais alunos, entretanto, por detrás de sua aparência frágil e suscetível, se esconde uma força telecinética poderosa, capaz de mover vários objetos com apenas o poder da mente. Esse é o segredo mais obscuro e intrincado da jovem, mantido reprimido assim como tudo em sua sofrida vida.

Durante a festa de formatura - quando Carrie finalmente enxergou uma possibilidade de ser feliz graças a um ato de generosidade -, a jovem é acometida por extrema crueldade, o que acaba despertando o seu pior e a transformando em uma verdadeira arma de destruição e terror, fazendo com que ela acerte as contas com todos que um dia a feriram e magoaram..

Carrie, A Estranha é um dos livros mais aclamados de Stephen King e devemos sua publicação à esposa do autor, Tabitha, que resgatou o manuscrito da lixeira do marido, consagrando-o em um dos maiores clássicos do terror contemporâneo. Carrie é ao mesmo tempo a anti-heroína da trama como também a maior vítima das atrocidades presentes no enredo e foi praticamente impossível não me sensibilizar com os terrores vividos pela personagem. Oprimida dentro de casa e caçoada ferozmente fora dela, sua existência é muito triste e infeliz e matiza bem o que a mistura de fanatismo religioso com bullying estudantil pode fazer com uma pessoa. Narrado em terceira pessoa de forma ampla, bem delineada e rica em detalhes, o livro se mostrou um verdadeiro relato de uma vingança feroz e sedenta.

Como disse anteriormente, eu me sensibilizei bastante com a Carrie e com a sua infância sofrida, repleta de sectarismo religioso e falta de amor. A ignorância da jovem é tanta acerca das coisas do mundo e também de seu próprio corpo que quando ela fica menstruada pela primeira vez, pensa que está morrendo e é vítima de chacotas e gozações severas por parte das colegas da escola, que a humilham no vestiário, jogando vários absorventes e tampões sobre a jovem. Quando chega em casa - onde esperamos que a jovem seja consolada e tenha a devida explicação sobre o seu fluxo menstrual por parte da mãe - a garota é ainda mais agredida e tachada de pecadora pela matriarca, que a castiga constantemente, não só sob a forma de agressão física como também a trancafiando dentro de um armário.

Vários fatos acontecem durante o enredo, que acabam culminando com o convite para que Carrie compareça ao baile de formatura do colégio. Ela é convidada por Tommy Ross - o garoto popular da escola e então namorado de Sue Snell, outrora sua opressora e que tenta de forma miraculosa se redimir com a jovem - e quase não aguenta de tanta felicidade, produzindo até mesmo o seu próprio vestido e sonhando com uma vida mais feliz e social. Entretanto, na noite de formatura, quando é elegida pela turma como rainha do baile, algo sinistro acontece e acaba provocando a maior humilhação da vida de Carrie e também uma fúria descontrolável e mortal por parte da jovem. Particularmente, confesso que vibrei com a vingança de Carrie, pois vi nesse ajuste de contas uma sede de justiça que eu estava ansiando desde a primeira parte do livro e acredito que King foi meticuloso em cada detalhe, promovendo um verdadeiro banho de sangue. Outro ponto que merece destaque na trama é que temos uma pequena introdução do autor no início do livro, no qual ele explica as suas inspirações para criar a protagonista e nos detalha que teve como base duas garotas que conheceu em sua pré-adolescência e que sofriam do mesmo preconceito gratuito que Carrie e uma delas, inclusive, chegou até mesmo a se suicidar, o que levanta mais uma vez a bandeira de quanto o bullying é cáustico e violento e pode prejudicar severamente os seus alvos.

Resumidamente, Carrie, A Estranha é um livro marcante, incrivelmente escrito e que descreve o malefício das piadas e deboches adolescentes sobre a vida dos seres oprimidos. Trazendo os fatos para a vida real, não teremos uma jovem com poderes telecinéticos para promover uma carnificina tal como no livro, mas temos casos verídicos de pessoas que atentam contra as suas próprias vidas e orquestram até mesmo massacres em massa sendo noticiados a nível global na mídia, o que faz com que a leitura transpasse as barreiras da ficção e deixe um alerta gritante sobre o tema. Foram feitas várias adaptações cinematográficas de Carrie e, em especial destaco a de 1976, que foi um dos melhores filmes produzidos sobre o livro, além de contar com a talentosíssima Sissy Spacek no papel principal, sendo também a primeira participação de John Travolta nos cinemas, interpretando Billy Nolan, namorado de uma das garotas que mais ridicularizam Carrie no colégio, Chris Hargenson. A versão de 2013 não se equipara à da década de 70 e a minha maior ressalva é o fato da atriz que interpretou Carrie, Chlöe Grace Moretz, ser uma jovem bonita demais para viver uma menina tão desprezada e vítima de chacotas por sua aparência como Carrie. Entretanto, destaco nesta versão a performance maravilhosa de Julianne Moore na pele de Margaret White, nos transmitindo toda a ferocidade e alienação religiosa da personagem, frisando também os momentos em que ela se automutila no enredo. A capa do livro nos traz o pôster da última versão feita do filme e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!

Confira o trailer do filme de Carrie, A Estranha de 1976:




Confira o trailer do filme Carrie, A Estranha, de 2013:



6 comentários:

  1. Oi Nessa
    Não conhecia este livro do autor. Fiquei curiosa pela trama ainda mais por se tratar de bullying.
    Quero assisir ao filme também.

    Beijinhos
    diariodeincentivoaleitura.blogspot.com

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  2. Oi Nessa,
    Nem li, nem assisti ao filme, mas até tenho vontade. Eu gosto da Cloe, então talvez me arrisque a ver a versão de 2013. Agora, ler? Não. Não tenho essa habilidade ainda, rs.
    Beeeeijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com/

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  3. Oiii Nessa

    Carrie é um clássico e na minha opinião é um dos melhores do King, a história é inesquecível e única. Acredita que ainda não vi o filme? Agora me deu muita vontade de tb conferir a adaptação.

    Beijo

    www.derepentenoultimolivro.com

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  4. Oi Vanessa, tudo bem?
    Apesar de não ser meu gênero favorito, eu já conferi duas adaptações de “Carrie, A Estranha”, mas nunca tive curiosidade de ler o livro. A trama é bem construída e marcante. Uma ótima dica para os fãs do gênero.

    *bye*
    Marla
    https://loucaporromances.blogspot.com.br/

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  5. Olá Nessa,

    Não li nada do autor ainda mas quero muito, só não gosto das capas de alguns livros e ai fica difícil...kkk, ótima resenha...abraço.


    http://devoradordeletras.blogspot.com/

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  6. Oi Nessa, tudo bem?
    Adorei a dica! Eu nunca assisti nem li Carrie, A Estranha, mas tenho certa curiosidade (apesar de não ser uma grande fã do King).
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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