27/08/2018

Resenha: Como Esquecer - Rose Elizabeth Mello

Edição: 1
Ano: 2017
Gênero: Romance Espírita
Páginas: 320
Editora: Vida e Consciência
Classificação: 4/5
Comprar: Saraiva
O livro Como Esquecer, da paulistana Rose Elizabeth Mello, nos traz um romance extremamente sentimental sobre perdão e resiliência. Relatando um caso de infidelidade e a postura da esposa diante da situação, a autora nos mostra que o importante é saber pensar e raciocinar com o próprio coração, sem se ater aos pensamentos de outrem. Achei a mensagem do enredo bastante positiva e clara, mas confesso que algumas situações acabaram não sendo tão fáceis de serem digeridas pra mim, apesar de bem coniventes com a nossa realidade.

Um casamento é formado não apenas por amor, mas também por cumplicidade, sinceridade, afeto e integridade. Quando algum desses alicerces faltam ou se encontram em absoluta escassez, as estruturas que regem o matrimônio começam a ruir, dando espaço para o medo, a insegurança e até mesmo para atitudes impensadas, tomadas no calor do momento.

Conhecemos a história do casal Beatriz e Antônio, que se passa no Rio de Janeiro da década de 50. Ele é um empresário dedicado, que passa mais tempo dentro do escritório e em inúmeras reuniões do que com a própria família. Já Beatriz é uma socialite carioca de respeito, que cuida com zelo e afinco do lar e também preza pela educação dos filhos. Depois de muitos anos de casados, ela descobre que o marido tem uma amante e que também engana a moça, alegando não ser um homem comprometido. Em estado de choque com a situação - pois sempre confiou no marido e nunca imaginou quaisquer resquício de infidelidade por parte dele - Beatriz passa a pensar e repensar o seu casamento, passando por muitas provações, indagações internas e até mesmo recebendo conselhos persuasivos de amigos, que irão aprimorar o seu espírito e lhe fazer tomar a escolha mais acertada.

Como Esquecer é um romance repleto de reflexão e que apresenta um assunto que ainda é um tabu em nossa sociedade, ou seja, a infidelidade. A autora não só aborda os motivos que levam uma pessoa a trair, como também mostra a postura de quem foi lesado com a situação e qual a melhor atitude que ele/ela deva tomar nestes casos. Eu, particularmente, admirei o modo de agir da protagonista da história, entretanto afirmo que não conseguiria levar a traição em banho-maria como ela levou - mesmo sendo, talvez, a escolha mais acertada. Narrado em terceira pessoa de forma clara, sucinta e leve, o enredo traz uma bela mensagem sobre perdão, amor e serenamento, mas que, ao meu ver, teve uma pegada meio que surreal.

Beatriz sempre foi uma esposa dedicada, amorosa e zelosa. Ela criou os filhos da melhor forma que pode e os encaminhou para a vida com sucesso, garra e determinação. Não tem nada que desabone em sua postura ou que deixe desejar em algum aspecto, mas mesmo assim o marido encasquetou que "a grama do vizinho sempre é mais verde" e resolveu ter um caso extraconjugal, pois a aventura amorosa iria lhe rejuvenescer e ressaltar o seu brilho como homem. Eu gostei da Beatriz, pois ela não se deixa ser persuadida e ao contrário das demais damas da sociedade, não tem medo de ser rotulada como uma mulher divorciada e/ou separada. Ela é sábia, inteligente e toma as suas decisões com maturidade e respeito, mesmo não tendo tomado a mais certa, ao menos na minha opinião. Entretanto, ela se mostrou uma mulher com uma grandeza de alma invejável e capaz de perdoar sem nutrir qualquer ressentimento.

Antônio se mostrou um personagem fraco, covarde e egoísta. Ele não só traiu a esposa, como também enganou a amante, que nem imaginava que o mesmo fosse casado. Eveline fica em um estado de choque tão grande que tenta até mesmo o suicídio, enquanto Antônio fica se martirizando e tentando a todo custo justificar o injustificável. Não só não gostei do personagem desde o início da trama como também abominei as suas atitudes no contexto da história.

Em síntese, Como Esquecer nos traz um romance espírita evoluído e permeado por amor, perdão e segundas chances. Apesar de eu não ter abraçado a proposta da autora, o cerne do enredo gira em torno da grandeza e da bondade do amor, mostrando que quando há sentimento envolvido, não devemos ficar trocando de companhia por toda a vida. A capa é lindíssima e nos traz o retrato de uma bela dama que representa bem o arquétipo da mulher da década de 50 e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Apesar das ressalvas, não deixo de recomendar o livro.


8 comentários:

  1. Ainda não conhecia, mas achei bem interessante e adorei essa capa, super linda!
    Blog Entrelinhas

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  2. Oi Nessa
    Não conhecia o livro, mas fiquei enteressada neste enredo. Adoro este tipo de romance.

    Beijinhos
    https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com

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  3. Oiii Nessa

    Que capa maravilhosa! Ma sinfelizmente o estilo do livro não é pra mim, acho que não curtiria então deixo a dica passar dessa vez.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  4. Realmente, o tema amor, hoje em dia, para ser abordado precisa-se ter o maior cuidado para com a impressão que seus leitores hão de ter. Pensando nisso, estou escrevendo O Amor pode ser hackeado, que conta a estória de um cara que mora no Canadá e que faz várias descobertas sobre o amor.
    Saiba mais no meu site. Um beijo!

    www.RapeizeDinamica.biz | @english.tips.br

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  5. Oie Nessa =)

    É tão bom quando lemos um livro, que mesmo não concordando com as atitudes dos personagens ele nos toca.

    Sempre pego umas dicas ótimas de romances espíritas aqui no seu blog. É um gênero que eu li muito na minha adolescência, e que sinto falta de ler.

    Beijos;***
    Ariane Reis | Blog My Dear Library

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  6. Olá Nessa, tudo bem?

    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui, infelizmente não faz o meu estilo, mas que bom que gostou....abraço.


    http://devoradordeletras.blogspot.com

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  7. Nessa, apesar de tudo eu também não consegui ver um lado na trama que me prenderia, enredos de traições e homem martirizento não me agradam
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com/

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  8. Oi Nessa,
    Que capa linda mesmo. Nossa que ranço desse moço.
    Mas, acredito sim que a história tenha uma bela lição a transmitir.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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