12/08/2018

Resenha: Cujo - Stephen King

Título original: Cujo
Gênero: Suspense/Terror
Páginas: 378
Editora: Suma de Letras
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
O livro Cujo, de Stephen King, nos traz uma história horripilante e repleta de tensão sobre um cachorro que faz a cidade de Little Rock viver os seus mais sombrios e temidos pesadelos. Considerado um dos livros mais assustadores de King, o enredo é norteado por terror psicológico e foca também no dia-a-dia de seus personagens, trazendo à tona os esqueletos que eles escondem no fundo de seus armários.

O cruel assassino Frank Dodd está morto e finalmente a cidade de Little Rock pode descansar em paz. O serial killer ceifou dezenas de vidas e aterrorizou a região durante muitos anos, entretanto agora não passa de uma mera lenda urbana, usada para assustar as crianças. Entretanto, para o garoto Tad Trenton, Dodd pode ser tudo, menos uma crendice popular. Todas as noites, ele sente o fantasma do assassino o espionando através de seu armário e sussurrando friamente em seus ouvidos...



Nos limites da cidade, Cujo - um cachorro são-bernardo de noventa quilos, pertencente à família Camber - começa a perseguir um coelho que se arrasta para dentro de um buraco e acaba sendo mordido por um morcego raivoso. Desde então, Cujo se transforma completamente e vai incorporando paulatinamente o pior pesadelo do garoto Tad e também de sua mãe, Donna, destruindo a vida de todos ao seu redor e se tornando um dos monstros mais cruéis do estado do Maine.

Cujo é um livro carregado de tensão psicológica e permeado por terror, ironia e, até mesmo, uma boa dose de sátira. Tendo como pano de fundo a cidade de Little Rock no Maine (que foi palco de outras tramas de Stephen King, tais como O Cemitério, It A Coisa, Saco de Ossos, entre outras), o enredo vai se descortinando pouco a pouco e nos mostra um simpático e até então inofensivo cão de família adquirindo ares cada vez mais animalescos e sanguinários. A transformação de Cujo foi muito bem arquitetada e os picos de consciência que o são-bernardo tem no decorrer da história se mostraram uma verdadeira jogada de mestre, mostrando a possessão do animal e como ele não poderia sequer lutar contra o "demônio" que lhe apossou. Os demais personagens não foram tão bem construídos quanto o protagonista canino, entretanto dão uma quebrada no terror do enredo com as suas histórias cotidianas e repletas de luta, sobrevivência e traição. Narrado em terceira pessoa de uma forma bem orquestrada, fluída e detalhada, a trama de Stephen King é incrivelmente assustadora, mirabolante e tensa.

Cujo foi um dos personagens mais bem construídos e trabalhados do enredo. Confesso que doeu o meu coração ver um bichinho tão dócil e calmo se transformar em uma fera implacável e sanguinária e o meu choque só não foi maior porque King estava no comando e soube conduzir essa transformação com maestria e uma precisão invejável. Senti também que o autor quis parodiar um pouco Lewis Carroll com todo o lance da perseguição do cachorro ao coelho, que remotamente me lembrou do clássico Alice no País das Maravilhas e do quanto a vida da protagonista mudou após cair no buraco do jardim e adentrar um mundo mágico e desconhecido. Os picos de consciência que Cujo tem na trama e suas curtas conversações consigo mesmo foram dotados de inteligência e perspicácia, mostrando a sua luta contra a natureza externa que o abraçou, até se transformar no temido e horripilante animal que dá título ao livro.

"O medo era um monstro de dentes amarelados, criado por um Deus enfurecido para devorar os incautos e os ineptos."

Os Trenton são uma família comum de classe média baixa, onde o pai, Vic, trabalha com publicidade para sustentar o lar, enquanto a mãe, Donna, é dona de casa e cuida do filho, Tad. Por trás desse verniz de família de propaganda de margarina, se esconde um caso de infidelidade que rege a trama durante boa parte do enredo e acaba até mesmo apimentando algumas das cenas do livro. Entretanto, ao meu ver, um dos momentos mais tensos da história é quando mãe e filho ficam presos dentro de um carro sob um sol escaldante e, claro, sendo aterrorizados e torturados por Cujo implacavelmente. Os Camber, apesar de serem proprietários de Cujo, não tem tanta abertura dentro do enredo, mas percebe-se algumas mazelas que assolam a humanidade no meio deles, tal como a violência doméstica. Um ponto que choca e que também revela um certo alívio é quando a matriarca, Charity, fica sabendo do que ocorreu com o seu marido, o mecânico Joe e não revela traço algum de sensibilidade. O filho do casal, Brett, é apaixonado por Cujo e mesmo estando a quilômetros e quilômetros de distância do seu bichinho de estimação, nota em seu íntimo que o animal não está nada bem.

"O mundo era frágil, tão frágil quanto um ovo de Páscoa: lindo por fora, oco por dentro."

Resumidamente, Cujo é um dos livros mais aterrorizantes e assustadores de Stephen King, onde o autor não poupa requintes de crueldade, além de transformar um bicho de estimação fofo e amável em um instrumento de matança e terror. Vale destacar também que alguns pontos permaneceram em aberto no livro e, ao contrário do que muitos possam deduzir, não achei isso algo negativo, visto que a trama é extensa e tem argumentos suficientes para alimentar a imaginação do leitor e fazê-lo tirar as suas próprias conclusões. Em 1983 foi feita uma adaptação cinematográfica do livro, que foi dirigida por Lewis Teague e conta com atores não muito conhecidos do grande público, como Dee Wallace, Danny Pintauro e Daniel Hugh Kelly. Infelizmente não assisti ao filme, mas vi que ele teve classificação mediana com o público, mesmo com algumas pequenas modificações com o enredo do livro - ao menos pelo que eu pude notar na sinopse do mesmo. A capa do livro é muito bonita e chamativa, sendo hardcover e tendo um fundo vermelho onde se destaca uma pegada do Cujo em alto relevo e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo ☺

Confira o trailer do filme de Cujo:



6 comentários:

  1. Stephen King é o mestre neh! Não tem como não ler seus livros, ótima dica
    Blog Entrelinhas

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  2. Oiii Nessa

    Eu quero ler mais do King, só li Misery dele e apesar de ter gostado senti falta desse terror. Saber que Cujo é aterrorizante assim me empolga, porque acho que é a caracteristica mais marcante de quando buscamos ler algo do King. Vou anotar na lista.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  3. Oi Nessa
    Este é um dos livros que tenho vontade de ler do autor e sua resenha me deixou mais curiosa e com medo hehee.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com

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  4. Oi Nessa,
    Meu sonho ter a Biblioteca completa. Só li o do Lobisomen, emprestado, e amei demais a organização. Surpresa em saber que Cujo pega um lado mais assustador. Não vi o filme também.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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  5. Acredita que ainda não li ada dele?

    Se quiser participar, estou sorteando um kit de acessórios lá no blog: http://www.cobaiaamiga.com/2018/08/sorteio-acessorios.html

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