03/09/2018

Resenha: Um Dia - David Nicholls

Título original: One day
Gênero: Romance
Páginas: 416
Editora: Intrínseca
Classificação: 4/5
Comprar: Saraiva
O livro Um Dia, do inglês David Nicholls, nos traz um romance espirituoso, que vai acontecendo paulatinamente até adquirir maiores proporções. Apesar de ter achado a história extremamente interessante e envolvente, os personagens não me cativaram tanto quanto eu gostaria, especialmente o Dexter, que me irritou durante boa parte do enredo com a sua imaturidade.

Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988, durante a noite de formatura da faculdade. Mesmo tendo vivido momentos incríveis naquele curto período de tempo, os dois sabem que o amanhã não lhes reserva um destino juntos, pois os caminhos de ambos convergem para rumos diferentes. Entretanto, mesmo não permanecendo um ao lado do outro, aquela data se tornou especial para os dois e, até mesmo inesquecível.

Os anos se passam e Dexter e Emma vivem suas vidas de forma isolada e bem diferente daquela que eles tanto planejaram. Entretanto, eles não conseguem esquecer o sentimento especial que os arrebatou naquela fatídica noite e, disso, nasce uma relação carinhosa e surpreendente entre os dois.

Durante vinte anos, acompanhamos fragmentos do relacionamento deles anualmente, sempre narrados no dia 15 de abril - data em que a vida dos dois se cruzou pela primeira vez. Por meio desses flashes de tempo, presenciamos brigas, conflitos, esperanças, arrependimentos, lágrimas e risos no caminho de Dexter e Emma até o dia em que, finalmente, eles tomam ciência que precisam ajustar as contas com o amor e assumir as rédeas do próprio destino.

Um Dia é aquele tipo de romance cativante, que você vai lendo freneticamente e do qual espera uma grata surpresa capítulo após capítulo. E sim, a história criada por David Nicholls tem uma magia especial e um ritmo gostoso que, à primeira vista, conseguiu me encantar, mas infelizmente não posso dizer o mesmo de seus personagens. Emma comete muitas tolices, mas chega um momento em que a protagonista coloca a cabeça no lugar e tenta correr atrás do prejuízo, mas Dexter não amadurece de jeito nenhum, além de cometer um erro atrás do outro e depois se apiedar de sua própria situação. Narrado em terceira pessoa de forma panorâmica, leve e fluída, o livro é notável e tem muitos atrativos, entretanto não foi tão emocionante e arrebatador quanto eu esperava.

Dexter surge na história como aquele típico almofadinha, que quer curtir a vida e não nutre nenhuma preocupação quanto ao seu futuro. Ele troca de namorada tal como se trocasse de roupa e só se preocupa em realizar os seus desejos sexuais, independente do local e da situação em que eles se manifestem. Quando ele começa a trabalhar na TV, apresentando programas que seguem um estilo meio que bonachão, pensamos que o personagem vai finalmente amadurecer, mas isso não acontece e o acompanhamos indo da ascensão à queda. Ele e Emma se encontram ao menos uma vez ao ano e durante esses encontros - por mais breves que sejam - ficam meio que subentendidos detalhes importantes de suas vidas, além de imperar uma intensa tensão sexual entre eles. Um dos momentos que seriam memoráveis na trama, mas que acabou sendo cruelmente suprimdo é quando Dexter escreve uma linda e emocionante carta de amor para Emma na Índia e a coloca dentro de um livro, e acaba esquecendo o objeto ao se encantar com o sexo oposto. Teríamos um gancho incrível nessa deixa, se o livro não fosse encontrado por uma outra pessoa totalmente avessa com a situação e que guardasse a carta em sua estante perpetuamente, como se aqueles sentimentos incrustados em palavras fossem diretamente destinados para ela. Dexter segue mimado, vivendo a vida irresponsavelmente e sem demonstrar o afeto necessário por aqueles que o amam, até mesmo para a sua mãe, quando descobre que a mesma se encontra doente. Até quando finalmente achamos que o personagem vai se regenerar, com algo que o devasta completamente no enredo, acompanhamos Dexter se martirizando, bebendo e agindo com uma imaturidade extremamente irritante.

Emma é uma personagem centrada, batalhadora e que sonha em melhorar de vida. Ela trabalha muito para isso e finalmente consegue um posto de respeito - mesmo que não seja aquele almejado nos seus sonhos. A personagem acabou me decepcionando ao se envolver em um caso de infidelidade e ter uma postura que discorreu totalmente com a empatia que ela me causou no início da história, entretanto ela conseguiu sair da situação e mostrou uma evolução notável - o que infelizmente não aconteceu com Dexter. Não sei dizer precisamente se foi por conta da construção dos personagens, mas o fato é que temos uma cena que causa profunda comoção no enredo e que acabou não conseguindo me sensibilizar, tamanha a minha insatisfação com o desenvolvimento dos protagonistas na trama.

"Eu te amo muito. Muito, muito e provavelmente sempre amarei. Só que eu não gosto mais de você."

Resumidamente, Um Dia é um romance espirituoso, despretensioso e cativante, daquele tipo que consegue te envolver durante a leitura e te deixar esperando por algo mais no decorrer de cada capítulo. Entretanto, os personagens destonaram completamente com a leveza e o carisma do enredo, o que acabou fazendo com que a trama perdesse alguns pontos em meu conceito. Em 2011 foi feita uma adaptação cinematográfica do livro, que foi dirigida por Lone Scherfig e que teve o roteiro adaptado pelo próprio autor, contando com os atores Anne Hathaway e Jim Sturgess nos papéis principais. Felizmente, o filme conseguiu ser melhor do que o livro e conseguiu transpor para às telas toda a emoção e sensibilidade que eu não encontrei no enredo de David Nicholls. A capa do livro nos traz o pôster do filme e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Apesar das ressalvas, não deixo de recomendar.

Confira o trailer do filme de Um Dia:



8 comentários:

  1. Oi Nessa,
    Tenho esse livro por aqui já faz um tempo e só enrolo para ler.
    Mas esses livros que todos elogiam, sempre me incomodam em alguma coisa e ainda bem que vc ressaltou sobre o boy.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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  2. Oii Nessa

    Apesar dos muitos elogios sobre o romance cativante que a trama apresenta, acho que não é uma leitura que me apetece no momento, por enquanto vou deixar pra próxima.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  3. Amo muito esse livro!

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com/

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  4. Oi Nessa, eu já vi falarem muito do filme e do livro, mas não conferi nenhum. Pela descrição dos personagens e da trama, eu já acho que vou gostar!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  5. Oi Nessa!
    Esse é um dos meus livros favoritos da vida! ❤ Acho um romance muito lindo, real, e aprendi muito lendo-o.
    Adoro a Emma, e concordo q o Dexter é um personagem odioso, mas n consegui odiá-lo, rs. Acho q td no livro está interligado e faz sentido, tem a ver com o q autor queria passar.
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  6. Gostei da sua postagem, sempre estou visitando seu blog e lendo suas postagens.. Seu blog está salvo em meus favoritos..

    Parabéns!

    Amo seu blog ❤️ ..

    Meu Blog tudosobreobadoo.com

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  7. Nessa eu ate comecei a ler, mas não me senti muito atraida naquele momento para continuar a leitura e larguei de lado, espero em breve dar outra oportunidade a trama

    http://felicidadeemlivros.blogspot.com/

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  8. Olá Nessa,

    Eu gostei do livro e também do filme, recomendo ambos....ótima resenha...abraço.


    http://devoradordeletras.blogspot.com

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