10/03/2019

Resenha: A Irmã da Pérola - Lucinda Riley

Título original: The Pearl Sister
Gênero: Romance
Páginas: 528
Editora: Arqueiro
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
Em A Irmã da Pérola, quarto volume da série As Sete Irmãs, da irlandesa Lucinda Riley, conhecemos a história de Ceci, uma das irmãs mais problemáticas e sistemáticas até aqui. Tal como num passe de mágica, Lucinda Riley conseguiu fazer com que uma personagem antipática e um tanto quanto supérflua ganhasse o carinho do público, desnudando sua alma e mostrando os seus diversos problemas - em especial a dislexia e o seu forte senso de insegurança. Repleto de camadas, o romance nos traz duas histórias sobre amor, arte e, acima de tudo, superação.

Ceci D' Aplièse sempre se sentiu um peixe fora d'água e esse sentimento se acentuou ainda mais com o falecimento do pai adotivo, Pa Salt e com o distanciamento de sua irmã e melhor amiga, Estrela. Desnorteada, ela abandona a faculdade de artes e toda a monotonia de Londres disposta a desvendar os segredos por trás de sua origem. Ao contrário de suas demais irmãs, a jovem possui poucas pistas sobre o seu passado - que se resumem em uma foto em preto e branco e o nome de Kitty McBride, uma das primeiras exploradoras de pérolas da Austrália, que viveu no país há mais de um século antes.


A caminho de Sydney, Ceci faz uma parada no litoral de Krabi, na Tailândia e entre praias tão deslumbrantes é que ela se sente, pela primeira vez, em paz consigo mesma. Em meio aos festejos de fim de ano e a presença de inúmeros mochileiros, a jovem conhece o misterioso Ace, um homem tão solitário quanto ela e que se torna o primeiro de muitos amigos que ela encontra em sua jornada. O enigmático rapaz lhe presenteia com a biografia de Kitty McBride e auxilia Ceci na leitura da obra, devido ao seu problema com dislexia.

Intrigada com a vida e as aventuras de sua ancestral, Ceci parte rumo às escaldantes planícies da Austrália e de imediato, se sente intrinsecamente ligada com a energia do local. Conforme vai descobrindo cada vez mais detalhes sobre os seus antepassados e a sua história de paixão, pioneirismo e dor, a jovem se depara com algo pelo qual buscou durante toda a sua vida: a sensação de pertencimento a algum lugar...

A Irmã da Pérola se inicia do ponto em que o enredo termina em A Irmã da Sombra, ou seja, com Ceci no aeroporto, prestes a embarcar para a Tailândia, sem se repetir aquela velha história do falecimento de Pa Salt e das pistas que ele deixou para cada uma de suas filhas adotivas. Desnorteada e se sentindo cada vez mais solitária, a personagem resolve buscar conforto em terras pra lá de exóticas e acaba se encontrando verdadeiramente consigo mesma, o que mostra que sair da zona de conforto pode ser a confirmação de um grande processo de libertação. Narrado em primeira e terceira pessoa por Ceci e alternado entre o presente da jovem e o passado de sua ancestral Kitty, o livro enaltece ainda mais o talento de Lucinda Riley e nos propicia um verdadeiro mergulho pela arte aborígine.

Ceci surgiu na série As Sete Irmãs como uma irmã desajustada, inconsequente e deveras muito egoísta. Desde o primeiro volume que eu não conseguia simpatizar com a personagem e temia por qual seria a minha reação ao ler o seu livro, dividida entre a minha antipatia por ela e ao talento primoroso de Lucinda Riley - que eu já conheço de outros carnavais. Para a minha surpresa e total alegria, meus conceitos sobre Ceci caíram por terra ao conhecer um pouco sobre sua história de vida e sobre seus problemas e dificuldades causados pela dislexia e pelo forte sentimento de solidão arraigado em sua alma. Me surpreendi positivamente com a sua força, bravura e sobretudo, com a sua persistência em um momento tão importante e ao mesmo tempo tão sublime de sua vida, onde ela não só se superou, como se mostrou uma outra mulher, tão forte, determinada e convicta quanto sua ancestral, Kitty.

"O amor é a emoção mais egoísta e altruísta do mundo, e suas duas facetas não podem ser separadas. A necessidade em si luta com o desejo de a pessoa querida ser feliz. Só que o amor não é algo a ser racionalizado e nenhum ser humano escapa de seu controle, acredite."

Filha de um pastor de Edimburgo do início do século XX, Kitty McBride recebe a proposta de viajar para a Austrália para ser a dama de companhia da Sra. McCrombie. Em Adelaide, o seu destino se entrelaça fortemente com o da família aristocrata, especialmente por conta dos sobrinhos gêmeos da Sra. McCrombie: o impetuoso Drummond e o ambicioso Andrew. Apesar de serem idênticos em todos os aspectos físicos, os dois são bem diferentes entre si, além de serem os herdeiros diretos do próspero comércio de pérolas da família. A incursão da jovem em terras australianas lhe oferece um bilhete para uma nova vida e também para um grande amor, que irá moldar e perpetuar a sua vida para todo o sempre. Kitty é uma moça forte, determinada e corajosa e, mesmo amando com todas as fibras do seu ser, suprime aos seus verdadeiros desejos lutando por aquilo que acredita ser o certo, sendo capaz dos maiores sacrifícios em busca de justiça e retidão. Sua coragem e desenvoltura são louváveis, ao mesmo tempo que tornam sua história um pouco triste e com ares bem shakespearianos. Outro ponto que merece destaque na trama dos McCrombie é o misticismo acerca de uma pérola amaldiçoada e como tal detalhe se mostrou um ingrediente fundamental no enredo.
'Todo mundo comete erros, faz parte da curva de aprendizado humano, desde que você aprenda mesmo com eles."

Em suma, A Irmã da Pérola nos trouxe uma bela história de amor, superação e transformação, fazendo com que uma personagem até então sem atrativos e insossa se mostrasse uma mulher corajosa, firme e determinada. Lucinda Riley, mais uma vez, nos brinda com todo o seu talento e com a mágica de tecer passado e presente de uma forma singela, tocante e incrivelmente apaixonante. A capa segue o mesmo padrão das anteriores, nos trazendo a ilustração de uma moça em meio a vegetação exótica da Austrália, sob um céu vermelho e ensolarado e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!

Confiram as resenhas dos volumes anteriores de As Sete Irmãs:

►AS SETE IRMÃS
►A IRMÃ DA TEMPESTADE
►A IRMÃ DA SOMBRA


5 comentários:

  1. Oiii Nessa

    A escrita dessa autora é sempre tão madura e profunda, acho bem legal isso porque comove a gente ao longo da história. Eu ainda não iniciei essa série, mas tenho muita curiosidade.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  2. Oi Nessa,
    Eu estou comprando essa série antes de lê-la, rs.
    Ainda bem que você a elogia, eu também gosto muito da Lucinda! <3
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  3. Oi Nessa, tudo bem?
    Várias pessoas já me indicaram esse livro, pretendo ler em breve
    Blog Entrelinhas

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  4. Oie Nessa =)

    As histórias da Lucinda Riley parecem ser daqueles que nos encantam e emocionam ao mesmo tempo. Tenho uma amiga que ama as histórias dela e pretendo dar uma chance para conhecer a narrativa da autora.

    Beijos e uma ótima semana!;***
    Ariane Reis | Blog My Dear Library.


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  5. Olá Nessa. Tudo bem?

    Esse livro está na minha lista de desejados, gosto demais da escrita da autora e fico feliz que tenha gostado...ótima resenha...abraço.


    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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