14/07/2019

Resenha: A Árvore dos Anjos - Lucinda Riley

Título original: The Angel Tree
Gênero: Romance
Páginas: 496
Editora: Arqueiro
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
O livro A Árvore dos Anjos, da irlandesa Lucinda Riley - autora com mais de 8 milhões de livros vendidos - nos traz uma bela história de amor, perda, erros, desafios e recomeços. Com uma escrita magistral e que se intercala entre passado e presente, personagens bem caracterizados e um enredo repleto de fascínio e surpresa, Lucinda Riley nos mostra como as nossas escolhas podem definir quem hoje somos e também como pode ser o ponto de partida para um novo começo.

Após trinta anos em que deixou de morar no solar Marchmont -  uma suntuosa e bela residência na zona rural do País de Gales-, Greta é convidada por seu velho amigo, David, para comemorar o Natal no local. Porém, devido a um acidente de carro sofrido há vinte e quatro anos atrás, ela não se lembra mais do tempo em que viveu na propriedade, assim como com o que aconteceu em boa parte de seu passado.


Durante uma caminhada pela paisagem gelada de Marchmont, Greta encontra uma sepultura no bosque e, pelo tamanho da mesma, julga ser de algum animal doméstico. Entretanto, ao se aproximar da lápide coberta de neve, ela percebe que se trata de um garotinho de três anos de idade e, misteriosamente, isso se torna a fagulha responsável por ajudá-la a recuperar sua memória. Porém, relembrar o passado vai se mostrar algo muito dolorido para ela, trazendo à tona segredos trancafiados à sete chaves, como o motivo de Greta ter abandonado o local, quem ela era antes do incêndio que ocorreu em Marchmont e como o mesmo foi ocasionado e o principal deles: o que ocorreu com sua filha, Cheska, uma jovem de beleza angelical, mas com um lado absurdamente sombrio...

A Árvore dos Anjos se mostrou uma leitura esplendorosa e uma das melhores obras de Lucinda Riley com que eu tive o prazer de me deliciar. Com uma trama que envolve três gerações e que traz um cerne tocante sobre amores e perdas, acompanhamos uma história que te faz suspirar, se apaixonar, se frustrar, se entristecer e, acima de tudo, vibrar com todo o poder e o refúgio do amor verdadeiro. Narrado em terceira pessoa de forma elegante, envolvente e brilhantemente orquestrada, acompanhamos todos os sonhos e proezas de seus personagens e o desfecho que o destino os preparou.

"O amor é uma coisa muito estranha. Ele pode modificar sua vida e levá-la a fazer coisas que, à luz fria do dia, você saberia que estavam erradas. Apaixone-se, com certeza, mas guarde sempre alguma coisa para si mesma."

Greta é uma personagem extremamente humana. Ela comete muitos erros e acertos durante a sua jornada e tem plena consciência disso, não apenas se responsabilizando pela somatória de sua vida, como também não se culpando por ter agido da forma que agiu, encarando tudo como experiência. Após o final da Segunda Guerra Mundial, em meados de 1945, a jovem Greta ambicionava a carreira de atriz, mas tudo que lhe sobrou foi trabalhar no Windmill Theatre, em Londres, onde sonhava com o dia em que um produtor batesse em seu camarim, a convidando para estrelar um filme. Entretanto, sua vida muda de figura quando ela conhece Max, um soldado americano que se apaixona perdidamente por ela e a pede em casamento. Feliz com o novo rumo que sua vida tomou, ela resolve esconder a sua profissão do amado, pois sabe que ele se trata de um rapaz bastante conservador e moralista e que não contrairia matrimônio com alguém da showbusiness. Porém, como nada permanece oculto por muito tempo, Max não só descobre o seu segredo como também visualiza a amada seminua no palco do Windmill Theatre, o que faz com que ele parta imediatamente para os Estados Unidos, sem se despedir de Greta e nem ao menos saber que ela está grávida. Desamparada e sabendo que ninguém vai querer uma gestante fazendo pose nos palcos londrinos, Greta acaba por aceitar o convite de David, um dos comediantes do teatro, para morar em seu chalé em Monmouthshire, com o intuito de não só esconder a gravidez dos outros como também recomeçar a vida, informando posteriormente que o pai da criança morreu na guerra. O que David não poderia imaginar era que Greta casaria com o seu tio, Owen, perdendo assim a mulher que ele amava e desencadeando uma série de atritos e conflitos a partir daí. Depois de muitas atrocidades, Greta e sua filha, Cheska, voltam para a Londres e a beleza e a destreza da pequena logo chamam a atenção de Hollywood, fazendo com que o antigo sonho da mãe se materializasse em sua pupila. Com apenas quatro anos de idade, Cheska se torna uma estrela em ascensão mas, o que seria um verdadeiro conto de fadas se transforma em um brutal e terrível pesadelo quando descobrem que a pequena não é tão angelical quanto sua tez ostenta. Deste em ponto em diante, Greta vive um intenso martírio e o sofrimento da personagem é bastante comovente e pungente. 

Cheska, por sua vez, é o que podemos chamar de um verdadeiro "anjo mau". Do estrelato da fama para a decadência da vida real, a jovem passou por muitos transtornos e distúrbios e se mostrou capaz das maiores e mais pesadas atrocidades. Ela não escuta conselhos e nem aceita ser ajudada, se mostrando uma pessoa dissimulada, perigosa e inconsequente. Como boa saudosista que sou, gostei muito de ver sua história sendo retratada na Era Dourada de Hollywood, com todo o glamour e a pompa deste período e, claro, com as incríveis citações a respeito de Audrey Hepburn, Marilyn Moore, Shirley Temple, Grace Kelly, dentre outras beldades desta época.

"O amor podia alterar o destino e controlar vidas. Como tinha controlado a dele."

David é um dos melhores personagens do livro. Além de ser um homem refinado e sensível, ele se mostrou ser bem resiliente e traz em si as características do verdadeiro amor, ou seja, paciência, benevolência e amplitude. A partir do momento que conheceu Greta, toda sua vida foi dedicada à ela e ao seu bem-estar, se mostrando um amigo solícito e incrivelmente amoroso.

Em suma, A Árvore dos Anjos é um livro emocionante, belíssimo e que realça ainda mais todo o talento e a delicadeza de Lucinda Riley. A autora transcorre tranquilamente entre o passado e o presente e nos traz um romance encantador, sensível e permeado de dor e paixão, com personagens ricamente memoráveis e bem traçados. A capa é muito bonita e nos traz a imagem de uma moça contemplando um pinheiro coberto por neve e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!

4 comentários:

  1. Oi Nessa
    Tenho vontade de ler algo da autora, so vejo elogios sobre os livros dela.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Oi Nessa,
    Menina, ainda vou ler algo desta autora, só leio resenhas boas e intrigantes, mas por enquanto não estou na vibe sabe.
    Curti seus comentários e acho até que tenho este livro para ler lá em casa, é só pegar e tentar ler né..

    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

    ResponderExcluir
  3. Oi Nessa,
    Eu já tive o prazer de ler alguns livros da Lucinda e minha mãe tem a coleção, então óbvio que quero conferir este!
    Sei que vai ser envolvente e emocionante!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  4. Oiii Nessa

    Pelo que notei nas histórias da Lucinda ela gosta de intercalar entre geracões a história e apresentar mais de um protagonista, acho isso bem legal, deve tornar tudo mais interessante. Tenho vontade de ler algo da autora, pretendo iniciar com os livros dela pelo O Rouxinol

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

    ResponderExcluir