21/07/2019

Resenha: As Irmãs Romanov - Helen Rappaport

Título original: Four Sisters
Gênero: Biografia/ Revolução Russa
Páginas: 528
Editora: Objetiva
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
O livro As Irmãs Romanov, da autora Helen Rappaport, nos traz uma biografia detalhada e de cunho histórico sobre as quatro irmãs Romanov: Olga, Tatiana, Maria e Anastácia. Começando pela história de seus pais, os últimos czares da Rússia, Nicolau e Alexandra e pautando também na infância problemática do irmão caçula, Alexei - portador de hemofilia-, acompanhamos toda a trajetória da família, desde a sua rotina um tanto simples por se tratar de monarcas como até mesmo os seus últimos dias antes do fuzilamento de 1918.

Mesmo depois de tantos anos, a história dos Romanov, sobretudo a brutal execução de sua dinastia em 1918, ainda choca o mundo e nos deixa curiosos por mais detalhes sobre quem eram realmente os últimos czares da Rússia. Na obra da biógrafa Helen Rappaport, temos um rico apanhado sobre a Revolução Russa e todos os fatos que desencadearam uma das tragédias mais tristes da nossa história, porém, o foco da autora é a vida das quatro grã-duquesas, tão jovens, belas e retratadas por muitos até mesmo como um detalhe insignificante perante a trama de seus pais, Nicolau e Alexandra. Entretanto, as quatro adoráveis irmãs não tiveram uma vida tão invejável como muitos pensavam e viviam na mais profunda simplicidade e isolamento.

Durante grande parte de suas vidas, as irmãs Romanov viveram como verdadeiras prisioneiras em palácios suntuosos, tanto por conta da mãe superprotetora e de saúde frágil, Alexandra, quanto por medo de ataques terroristas contra a família do czar. Isoladas, elas tinham poucos amigos e confidentes e permaneciam alheias à realidade e as rotinas corriqueiras das garotas de sua faixa etária até que, em 1914, foram obrigadas a "crescer" na marra. Com a entrada da Rússia na guerra, as jovens tiveram que amadurecer de um dia para o outro e lidar com situações até então inimagináveis.

Em As Irmãs Romanov, temos a reconstrução da trajetória da última família imperial russa, com ênfase na rotina de Olga, Tatiana, Maria e Anastácia. Toda a alegria, inocência, insegurança e malícia das jovens princesas são retratadas com afinco pela autora, tendo como pano de fundo o cenário da Revolução Russa e os seus expoentes. Narrado em terceira pessoa de forma instigante e ricamente detalhada, acompanhamos a história das quatro jovens Romanov e a tragédia que lhes abateu, capaz de nos comover mesmo depois de mais de um século de suas mortes chocantes e prematuras.

Alexandra era alemã e neta da Rainha Victoria da Inglaterra e isso, por si só, fazia com que o povo russo não visse a czarina com bons olhos. Além de ser uma mulher bem intelectualizada e pacata, avessa de grandes festividades, ela também sofria de nervo ciático, o que a fazia a ficar trancafiada dentro do quarto por dias, longe da presença até mesmo dos familiares. Nicolau herdou o posto de czar com apenas dezenove anos e não estava preparado para ficar a frente de uma nação já quebrantada e com vários despontes de revolução. Além de ser considerado pelo povo um governante fraco e sem autoridade, o fato de Alexandra demorar a engravidar e, posteriormente, dar à luz a quatro meninas consecutivamente, fez com que a antipatia dos russos crescesse ainda mais devido as ameaças ao trono. Entretanto, por mais soberanos e monarcas que fossem, a família sempre foi muito simples, desde as suas vestimentas como até mesmo as suas atividades, dando grande valor à presença em família do que propriamente aos bens materiais.

Olga era a irmã mais velha e a favorita do pai, por terem tanto o temperamento quanto a visão de vida bem semelhantes. Tatiana era a considerada a mais bela das irmãs e também era a filha preferida de Alexandra. Maria era a irmã do meio e durante o período da revolução, desencadeou crises de ansiedade, que fez com que a jovem engordasse e não conseguisse utilizar as roupas herdadas das irmãs mais velhas. Anastácia era a mais peralta das irmãs e sempre foi geniosa e voluntariosa. Apesar de esbanjarem características e desenvolturas bem diferentes entre si, o quarteto nutria os mesmos sonhos e anseios e, por mais que demonstrassem interesses românticos pelos soldados que as cercavam no palacete, não tiveram tempo hábil para vivenciar uma bela história de amor. As quatro grã-duquesas também trabalharam como enfermeiras durante a Primeira Guerra Mundial e com essa atitude, ao invés de causarem empatia no povo, geraram repugnância, pois eles não aceitavam verem a monarquia colocando a mão na massa.

"O mal que há no mundo se tornará ainda mais poderoso e não é o mal que vence o mal - somente o amor."

Alexei, o caçula da família, não teve muita vazão no enredo de Helen Rappaport, até mesmo pelo fato do foco da autora serem as irmãs Romanov, porém, algumas informações são fornecidas sobre ele no decorrer do livro. Portador de hemofilia, o garoto sofria muito com essa doença naquela época, principalmente por não ter nem um tipo de paliativo ou tratamento para ela. Isso fez com que Alexandra, durante o desespero de perder o herdeiro do trono, consultasse o místico Rasputin, que acabou se tornando um oráculo da família, mesmo sendo fortemente criticado pelas pessoas ao redor devido aos seus métodos nada ortodoxos e sua maneira devassa e desregrada de viver a vida.

Resumidamente, As Irmãs Romanov se mostrou um trabalho detalhado e rico em informações sobre as quatro grã-duquesas, que foram brutalmente fuziladas junto com os demais membros da família  em 17 de julho de 1918 pelas tropas bolcheviques. A narrativa de Helen Rappaport se encerra antes do fuzilamento, mas é possível acompanhar o período da ascensão até a queda da dinastia dos czares e tudo o que eles sofreram, principalmente durante o exílio na Sibéria. A capa do livro nos traz os retratos em preto e branco de Olga, Tatiana, Maria e Anastácia e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho, revisão de qualidade e muitas fotografias da família reunidas no miolo do livro, destacando momentos importantes de sua história. Recomendo ☺

4 comentários:

  1. Oi Nessa,
    Não é um livro que tenho vontade de ler, porém tenho muita curiosidade em saber mais da história das irmãs sabe, acho que no atual momento, eu adoraria ver filmes falando sobre, ou até mesmo seriados!
    Sua resenha está ótima, como sempre!

    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

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  2. Oi, tudo bem?
    Achei a premissa do livro bem interessante. Não seria o tipo de leitura que eu faria no momento, mas ainda assim, me deixou curiosa para conhecer sobre as irmãs.
    Adorei a resenha.

    Beijos
    Eliana
    https://construindoestante.blogspot.com/

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  3. ah eu adoro historia e to me interessando cada vez mais por historia russa tbm, adorei conhecer esse livro e ja quero ler

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  4. Oi Nessa,
    Eu me interesso muito sobre essa história dos Romanov. E desde pequena, quando comecei a entender o filme da Anastácia, ai eu já queria saber o que era real e o que não era, rs.
    Esse livro deve ser mega interessante!
    beijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com/

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