03/09/2019

Resenha: Orgulho e Preconceito e Zumbis - Seth Grahame-Smith

Título original: Pride and Prejudice and Zombies
Gênero: Mash up
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Classificação: 4/5
Comprar: Saraiva
O livro Orgulho e Preconceito e Zumbis, de autoria de Seth Grahame-Smith, se trata de uma versão remodelada do clássico de Jane Austen, com um toque bem extravagante de sobrenatural. Confesso que fiquei avessa a leitura deste livro por muito tempo, principalmente por ser uma pessoa extremamente saudosista e, apesar da leitura não ter superado as minhas expectativas, achei a abordagem bem interessante e ousada. Os personagens, infelizmente, não mantém as mesmas qualidades do romance de Austen, mas possuem habilidades distintas que os consagram como verdadeiros espadachins no enredo de Grahame-Smith.

A história se inicia quando uma praga sem precedentes assola o tranquilo vilarejo de Meryton, na Inglaterra, fazendo com que os mortos voltem à vida. Elizabeth Bennet, tal como rege a uma boa heroína, está disposta a tudo para eliminar a ameaça zumbi, até que a chegada do charmoso Mr. Darcy acaba desviando sua atenção. Em meio a um romance nada convencional entre a guerreira e o arrogante mocinho, se desencadeia uma espécie de comédia apocalíptica, recheada de batalhas, mortes violentas e muito sangue.


Enquanto tenta subjugar os zumbis que se aproximam, Elizabeth luta também contra o seu preconceito perante a aristocracia social e conta com o apoio de sua família nesta batalha. Em meio a duelos de espada, canibalismo e cadáveres em decomposição, acompanhamos uma história de amor se descortinando, repleta de emoção, perigo, suspense e claro, traição.

Orgulho e Preconceito e Zumbis se mostrou uma proposta ousada, não só por se tratar de uma nova roupagem de um clássico como também por incrementá-lo com figuras sobrenaturais. Mesmo sendo fã de carteirinha de Jane Austen, confesso que admirei a originalidade da obra, apesar dela não ter me ganhado 100%. Ao mesmo tempo em que Seth Grahame-Smith foi criativo e tornou a linguagem da obra um pouco mais acessível para os novos leitores, alguns trechos foram exagerados e até mesmo, indelicados. Um dos pontos que mais me desabonaram na trama foi o fato dos personagens secundários não terem sido tão bem explorados, não passando de meros fantoches no enredo com o único objetivo de matar e decapitar zumbis. Narrado em terceira pessoa de forma linear e contando com várias ilustrações de Philip Smiley, o livro tem os seus encantos, mas se tornou bem raso em virtude de todo o talento da obra de Austen.

"É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros."

Elizabeth Bennet não é aquela moça sensível e crítica de outrora, mas continua mantendo um temperamento forte, além de ser uma eximia ninja assassina. Mr. Darcy nem de longe resvala naquela imagem imponente e altiva do clássico, tendo uma participação decepcionante no enredo. Jane, Bingley e companhia tem as suas vozes praticamente sufocadas pelos zumbis e Lydia e Wickham protagonizam um dueto tenebroso, insosso e com um desfecho bem doentio.

Resumidamente, Orgulho e Preconceito e Zumbis é o tipo de leitura despretensiosa e que pode agradar (ou não) os fãs de Jane Austen. Como já ressaltei, um dos pontos fortes do livro é a criatividade e originalidade do autor, mas a forma como os personagens foram inseridos no contexto da trama pode decepcionar muita gente, especialmente pela superficialidade deles. Em 2016, foi feita uma adaptação cinematográfica do livro, que atuou como uma espécie de paródia do romance de Austen e que conta com elementos bem interessantes, tendo no elenco Lily James e Sam Riley. A capa do livro é bem conivente com a história, tendo a ilustração de uma zumbi e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho, ilustrações bem condensadas e revisão de qualidade. Apesar das ressalvas, não deixo de recomendar.

Confira o trailer do filme de Orgulho e Preconceito e Zumbis:



3 comentários:

  1. Oi Nessa,
    Eu assisti ao filme e gostei. Não se compara ao clássico, claro, mas é bom.
    Sobre a leitura em si, nunca pensei em lê-lo porque já assisti ao filme, sabe? Como não me emopolgou tanto, deixei passar, rs.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com

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  2. Oi Nessa, eu só assisti ao filme mesmo, não li o da Jane e nem este. Não curto muito os clássicos, eu adorei ler sua resenha, bem sincera, uma pena que não tenha agradado tanto!

    Oi Hanna, lembro quando eu fui na bienal uns 6 anos atrás, comprei adoidado hehe
    Livros lindos, amei as fotos!

    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

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  3. é mt ousado mesmo misturar zumbis com esse super classico da literatura... lembro de ter visto o filme e é tipo só uma inspiração no livro né, nem se compara hehe nao dá pra esperar a msm coisa do classico...

    www.tofucolorido.com.br
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