13/10/2019

Resenha: O Sári Vermelho - Javier Moro

Título original: El sari rojo
Gênero: Romance histórico
Páginas: 448
Editora: Planeta
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
O livro O Sári Vermelho, do espanhol Javier Moro, nos traz a história da família Gandhi, mais precisamente de Sonia Gandhi, a italiana que abandonou tudo por amor. Com um rico panorama histórico e um romance forte e pungente que vai se descortinando pouco a pouco, acompanhamos a saga de uma família pela Índia, lutando por igualdade para todos e, acima de tudo, por aquilo que julgam ser o correto.

Em 1965, Sonia Maino, uma jovem estudante italiana de dezenove anos, conhece em Cabridge o indiano Rajiv Gandhi. Ela é filha de uma família simples que mora em Turim; já ele provém de uma linhagem poderosa da Índia. Ali, se inicia uma história de amor que nem a morte é capaz de quebrar, fazendo com que a italiana abandone seu mundo e sua cultura e mergulhe em um país completamente diferente, que adora milhares de divindades, fala trocentos idiomas e tem uma visão política bem heterogênea. Sua coragem, determinação e entrega a tornam uma espécie de deusa para a população, que corresponde a um sexto da humanidade.

Porém, em 22 de maio de 1991, um atentado tira a vida de Rajiv Gandhi, assim como ceifou a vida de sua mãe, Indira, fazendo com que a Índia perdesse o seu maior protetor. Entretanto, sua morte não culmina no fim do amor que despertara em Sonia, o que faz com que a italiana guie seu povo e sua política rumo a uma grande nação.

O Sári Vermelho nos traz a trajetória da família Nehru-Gandhi e o seu desejo utópico de uma Índia igualitária e independente e o título da obra se refere a peça de vestuário que foi tecida por Jawarharlal Nehru na prisão e que foi usada nas cerimônias de casamento de Indira, Sonia e, mais tarde, na de Priyanka. Javier Moro nos dá uma verdadeira aula de história, não só sobre a política deste país asiático, como também sobre seus costumes, tradições, lutas religiosas, corrupções, relações internacionais, dentre outros temas. Narrado em terceira pessoa de forma bem panorâmica e abrangente e norteado por uma rica bagagem histórica, acompanhamos um enredo de viés biográfico, que fala sobre amor, dever, patriotismo e, acima de tudo, esperança.

"Quando estamos apaixonados, o amor no dá uma força muito poderosa. Armados com essa força, nada dá medo. Só queremos a pessoa que amamos."

Sonia é uma mulher forte e que se absteve de tudo por amor. Vinda de família fervorosamente católica, foi muito difícil pra ela se adaptar as religiões e costumes daquele país, bem como a sua culinária, totalmente diferente dos sabores e texturas das massas italianas. Mas o seu amor por Rajiv foi o combustível que a guiou e que também a manteve na Índia, mesmo sendo totalmente avessa a política e fazendo de tudo para não se envolver com a mesma. Ela e Indira sempre se deram super bem, o que acabou até mesmo despertando o ciúme de outros membros da família real. Ambas são mulheres fortes, de personalidade, que apregoam o amor e lutam com unhas e dentes pelo bem-estar daqueles que amam. O mais curioso sobre Sonia é que, mesmo aconselhando Rajiv a ficar longe do posto de primeiro-ministro e fazendo de tudo para se afastar da política, as engrenagens do destino acabaram a colocando bem no meio dela durante o seu período de luto. Mesmo contrariada, ela assumiu o posto por amor a sua família e ao seu povo, encarnando as esperanças de 1,2 bilhão de pessoas na terra de Mahatma Gandhi. Até hoje apontada como uma das mulheres mais poderosas e influentes do mundo pela Forbes, a italiana fez e ainda faz sua história em solo indiano e, em 2017, foi sucedida no cargo de presidente do Congresso Nacional Indiano por seu filho, Rahul Gandhi.

Em síntese, O Sári Vermelho nos traz um relato de moldes biográficos sobre a epopeia dos Neru-Gandhi e como eles acabaram sendo prisioneiros de um destino que não escolheram, sobrevivendo a tragédias, conspirações e atentados, mas dando esperança e um novo sopro de vida para o tão sofrido povo indiano. Repleto de costumes, tradições e um rico panorama histórico, o enredo de Javier Moro nos mergulha pela cultura indiana e nos traz o retrato de personalidades fortes, exóticas, poderosas e de grande importância na construção da Índia independente. A capa nos traz a imagem de uma indiana ornada em um sári vermelho e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho, revisão de qualidade e um acervo de fotografias no miolo do livro. Recomendo ☺


8 comentários:

  1. Oi Nessa!

    Já tinha visto esse livro na Saraiva e a premissa dele tinha me chamado bastante a atenção. Gosto de livros que tenham com protagonistas pessoas/personagens fora do contexto norte-americano que estamos acostumados a encontrar.

    Por saber que se trata de uma história real, fiquei ainda mais curiosa para ler.

    Beijos;***
    Ariane Reis | Blog My Dear Library.

    ResponderExcluir
  2. Esse livro é bem diferente de tudo que já li, fiquei bem curiosa para conhecer! ❤

    https://www.kailagarcia.com

    ResponderExcluir
  3. muito bacana conhecer esse livro, eu gosto mt de temática indiana e fiquei bem curiosa com essa leitura

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

    ResponderExcluir
  4. Oi Nessa, e é sofrido até hoje né amiga, infelizmente!
    Mas curti pra caramba tua resenha e adorei a prosposta, é o tipo de livro que amo ler, que amo ter, sem dúvidas que desejo este livro!!


    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

    ResponderExcluir
  5. Já vi esse livro na prateleira, mais confesso que não me interessou na hora.
    agora lendo sua resenha, fiquei tentada em ler.
    bjss <3
    http://www.andressamonteiro.com

    ResponderExcluir
  6. Oi Vanessa, tudo bem?
    Ainda não conhecia o livro, mas achei a proposta interessante, por tratar de personagens reais. Dica anotada!!!

    *bye*
    Marla
    http://loucaporromances.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  7. Tenho ficado bem vidrada em livros que falem um pouco sobre outras culturas. Eu não conhecia esse mas não é o primeiro que vejo pela blogosfera focado nessa cultura tão bela. Se não fosse pela sua resenha, eu juro que não sei se me interessaria, caso tivesse que julgar pela capa.

    Abraço,
    Parágrafo Cult

    ResponderExcluir
  8. Oi Nessa,
    Minha mãe tem esse livro aqui em casa, mas ninguém o leu ainda.
    Saber que você gostou me dá ânimo para arriscar.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com

    ResponderExcluir