10/11/2019

Resenha: A Irmã da Lua - Lucinda Riley

Título original: The moon sister
Gênero: Romance
Páginas: 592
Editora: Arqueiro
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
Em A Irmã da Lua, quinto volume da série As Sete Irmãs, da irlandesa Lucinda Riley, acompanhamos a história de Tiggy D'Aplièse. Ao contrário das demais irmãs, sabemos muito pouco de sua vida e de sua trajetória, o que concedeu um tom bem misterioso e interessante para a personagem. Extremamente ligada à natureza e bem desapegada dos bens materiais, Tiggy ostenta um espírito bem riponga e traz um leve toque de magia para a trama de Lucinda Riley.

Após a morte de se pai adotivo, Pa Salt, Tiggy resolveu seguir os próprios instintos e se mudar para a Escócia. Nas Terras Altas, ela tem o emprego que tanto sonhou, cuidando dos animais selvagens e vivendo isolada na Propriedade Kinnaird.

Em seu novo lar, ela conhece o velho cigano Chilly, que acaba por mudar totalmente o seu destino. O homem afirma que a jovem possui um sexto sentido ancestral e que, cumprindo uma antiga profecia, esse dom a levaria até suas origens em Granada, na Espanha. Em território espanhol, mais precisamente no bairro de Alhambra, Tiggy descobre sua exótica ligação com a comunidade cigana de Sacromonte e, sobretudo, com a famosa dançarina de flamenco La Candela. Seguindo cada vez mais as trilhas que remetem ao seu passado, a jovem precisará usar seu novo talento para desvendar a história de sua família e discernir o rumo que precisa tomar na vida.

A Irmã da Lua complementa a série de Lucinda Riley com louvor e nos traz uma personagem bem reclusa das outras irmãs, mas por conseguinte, tão especial e brilhante como elas. A bruma de mistério que envolve Tiggy desde o primeiro livro me deixou bem curiosa acerca de sua personalidade e felizmente eu fui surpreendida positivamente com a protagonista, que tem qualidades que eu bastante admiro. A história, assim como nos demais volumes, tem uma trama histórica rica e um leve toque de magia que encanta e torna o enredo ainda mais enriquecedor. Narrado em primeira pessoa por Tiggy e Lucia de forma alternada, acompanhamos passado e presente de modo mágico, brilhantemente escrito e com um desfecho bem singelo e bonito.

"A vida tem a ver com intuição e um pouco de lógica. Se você aprender a equilibrar os dois, qualquer decisão que tomar será naturalmente a correta."

Tiggy é dona de um espírito livre e é uma pessoa extremamente ligada à natureza. Apaixonada por animais e pela vida selvagem, ela ama cuidar e estar no meio deles, como se isso, de certa forma, suprisse sua alma. Apesar de ter herdado uma rica fortuna de Pa Salt, ela prefere continuar exercendo a sua profissão na Propriedade Kinnaird, mesmo tendo que aturar a rabugice e o mau humor da mulher do patrão. Meiga, simples e adepta do vegetarianismo,  ela encanta todos ao seu redor, desde os empregados da propriedade, os animais sob os seus cuidados e até mesmo a filha do patrão - que por sinal, tem um espírito bem semelhante ao de Tiggy. O dom da personagem que acaba sendo aflorado nas Terras Altas é bem sutil, o que não ocasionou aquela carga fantástica no enredo, mas foi extremamente essencial para guiá-la rumo aos acontecimentos da história. Sua ligação com La Candela foi tecida de modo magistral e revelou muito sobre as duas personagens principais da trama.

"Você precisa saber de onde veio para saber para onde vai."

Lucia, ou melhor dizendo La Candela, sempre foi uma exuberante dançarina de flamenco, mas sofreu com todos os flagelos do século XX na Espanha. Tentando driblar o preconceito contra o povo cigano, ela sempre deu o melhor de si em todas as suas apresentações, sendo conhecida do grande público desde criança. Ao mesmo tempo em que ela vai se encantando com a fama e o sucesso, a jovem também passa por muitas desilusões amorosas, principalmente por conta de seu forte temperamento. Enquanto dança e encanta multidões, a moça e sua família também precisam se desvencilhar dos terrores da Guerra Civil Espanhola, que assola os quatro cantos do país, deixando um rastro fatal de vítimas em seu encalço. A história de Lucia foi um dos pontos fortes da trama, pois foi carregada de ricos fatos históricos da Espanha, além de contar a saga de uma família cigana que desde cedo teve que aprender a lidar com o preconceito, bem como com uma vida simplória e sem muitos recursos. La Candela é geniosa, tempestuosa e dona de um talento nato, o que acaba tornando a sua personalidade um pouco difícil. Seus relacionamentos amorosos são bem turbulentos, principalmente por conta de seu orgulho e presunção, o que a torna uma personagem muito bem construída e levemente intrigante.

Resumidamente, A Irmã da Lua elucida mais uma vez o talento de Lucinda Riley, além de nos deixar cada vez mais próximos do desfecho da saga de As Sete Irmãs. Conhecer Tiggy foi uma grata surpresa, não só por ter tido poucas informações sobre esta personagem nos livros anteriores como também por sua personalidade carismática e o seu forte apreço pelos animais e pela natureza - características estas que eu, particularmente, aprecio bastante. A capa é muito bonita e nos traz a ilustração de uma moça vislumbrando o luar pelos arredores da Espanha e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!

Confiram as resenhas dos volumes anteriores de As Sete Irmãs:

►AS SETE IRMÃS
►A IRMÃ DA TEMPESTADE
►A IRMÃ DA SOMBRA
►A IRMÃ DA PÉROLA


4 comentários:

  1. adorei conhecer mais esse livro da serie e ver essas quotes, parece mesmo uma ótima leitura

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  2. Amei conhecer esse livro, não o conhecia. Mas fiquei curiosa para explorar a história! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  3. Oi Nessa,
    Menina todo ano separo livro da Lucinda pra conhecer e nunca vai.
    Esse gostei muito da premissa, já simpatizei muito com a Tiggy.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  4. Gostei bastante da resenha, parece ser um ótimo livro :)
    bjs
    www.lagrimasdediamante.com.br

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