01/12/2019

Resenha: A Grande Solidão - Kristin Hannah

Título original: The great alone
Gênero: Romance
Páginas: 400
Editora: Arqueiro
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
O livro A Grande Solidão, da americana Kristin Hannah - best-seller com mais de 15 milhões de livros vendidos - nos traz a linda história de amor entre uma mãe e sua filha em meio as intempéries da inóspita Alasca. Tecido com sensibilidade e profundidade, o enredo de Kristin Hannah trata de temas fortes como violência doméstica e TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático), de forma clara, sucinta e extremamente emocionante. Com personagens fortes, resilientes e que fazem de tudo para sobreviver e superar os seus traumas interiores, o livro se mostrou um romance envolvente e extremamente emocionante.

Em 1974, após enfrentar os horrores da Guerra do Vietnã, Ernt Allbright decide se mudar para o Alasca com sua família, em busca de um lugar isolado e repleto de paz. Cora, sua esposa, se mostra capaz de fazer tudo pelo homem que ama, inclusive segui-lo até um local inóspito e desconhecido. A filha do casal, Leni, também acredita que esse novo recomeço trará um futuro melhor para todos eles.

A princípio, o Alasca se mostra um verdadeiro refúgio para os Allbright. Os longos dias ensolarados e a generosidade de seus vizinhos compensam o despreparo da família e os seus poucos recursos. Entretanto, o que eles não poderiam supor era que as geladas terras alasquenses não fossem capazes de transformar pessoas, mas sim de revelar a verdadeira essência delas. Enquanto Ernt precisa abraçar a escuridão de sua alma na pequena cabana onde as noites duram dezoito horas, Leni e a mãe descobrem que as ameaças do lado de fora são bem menos inofensivas do que a que elas tem que enfrentar no seio do lar...

A Grande Solidão é um livro com uma clara abordagem sobre as mazelas da alma, bem como um retrato da fragilidade e resistência humana em meios aos inúmeros infortúnios que a vida nos apresenta. Narrado em terceira pessoa de forma ampla e sensível, acompanhamos a forte conexão que une uma mãe e sua filha e como o amor de ambas se mostra um combustível para enfrentar os perigos e as adversidades que o Alasca as apresenta.

Leni é uma garota inteligente e à frente de seu tempo. Tal como sua família, ela acredita que a ida para o Alasca trará novos ares e mudanças para a família, que se encontra melancólica desde o martírio do pai - que não só lutou, como também foi feito de refém na Guerra do Vietnã. Aparentemente, tudo corre as mil maravilhas para os Albright, entretanto, o patriarca começa a dar alguns sinais de mudança. Primeiramente, ele acaba não aceitando ser contrariado por coisas bem insignificantes mas, com o tempo, o seu comportamento vai sendo cada vez mais hostil e seco, até que assume um ar violento e tipicamente predador. Em meio a essa série de mudanças tenebrosas, Leni também acaba por descobrir o amor ao lado de Matthew, mas o jovem casal vai ter que tentar se desvencilhar do temperamento arisco do pai da moça, assumindo inúmeros riscos para vivenciar essa história. Acompanhar o amadurecimento de Leni na trama foi muito gratificante, bem como o seu belo relacionamento com a mãe, Cora. A ligação que elas possuem é inquebrável, o que me emocionou por diversas vezes no enredo, além de se mostrar o cerne do romance de Kristin Hannah. O relacionamento dela com Matthew tem ares bem pueris e vai se descortinando pouco a pouco, mostrando toda a beleza e a intensidade do primeiro amor.

"Seu amor por ele era a emoção mais nítida e forte que já havia sentido. Era como abrir os olhos ou crescer, perceber que você tinha dentro de si mesma a capacidade de amar assim. Para sempre. Por todo o tempo. Ou por todo o tempo que você tivesse."

Cora é uma mulher apaixonada, que largou a família e todo o conforto do lar para ter uma vida simples e riponga ao lado de Ernt. Porém, a Guerra do Vietnã destruiu os sonhos do jovem casal e modificou drasticamente o seu amado esposo. Entretanto, mesmo com a dor e os traumas, ela o continua amando tal como na início e, mais uma vez, arrisca tudo para tentar uma nova vida no Alasca. A solidão daquela paisagem gelada vai moldando ainda mais o temperamento arisco e selvagem do marido e ela vai aguentando todo o seu furor e violência, até que a filha do casal acaba sendo alvo da fúria do pai. A partir daí, o instinto materno aflora com todo o vapor em Cora, fazendo com que ela enfrente Ernt com cada fibra de seu ser, arriscando até mesmo a sua vida para isso. A conexão entre ela e Leni é indestrutível e me levou às lágrimas por diversas vezes, tanto pelo companheirismo e comunhão que ambas dividem, quanto pelo amor entre elas, que é intenso e quase que palpável nas páginas do livro de Kristin Hannah.

"O amor não desbota ou morre. As pessoas dizem que sim, mas isso não acontece. Se você ama alguém agora, vai amá-lo daqui a dez anos ou daqui a quarenta. De maneira diferente, talvez, uma versão esmaecida, mas ele é parte de você agora. E você é parte dele."

Resumidamente, A Grande Solidão é um romance sensível e tocante sobre o amor e a perda e, acima de tudo, sobre os fortes laços de afeto e comunhão que envolvem uma mãe e sua filha. Abordando também o instinto de sobrevivência e a resiliência que acaba advindo disso, acompanhamos, por conseguinte, o aspecto selvagem que habita a natureza e também o ser humano, em seu grau mais bruto e elevado. A capa é bonita e confeccionada em um material levemente aveludado, nos trazendo uma imagem do Alasca sob um céu alaranjado e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo, com certeza!

7 comentários:

  1. Esse livro deve ser marcante, fiquei com bastante vontade de ler! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  2. Ótima resenha, adoro romances e fiquei bem curiosa para ler esse.
    bjs
    www.lagrimasdediamante.com.br

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  3. nossa esse tema é mesmo bem emocionante, gosto muito de tema de familia como esse e achei mt interessante por se passar no inóspito Alasca

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  4. Ainda não conhecia, mas parece ser incrível!

    Beijos,

    www.nossoglamour.blogspot.com.br

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  5. Oi Nessa,
    Eu curto dramas familiares, ainda mais em relação maternal, fiquei curiosa com a dica. Fora que preciso urgentemente ler algo da autora.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  6. Oi Nessa, curti a dica e olha que nunca tentei ler um livro da autora, tenho um fraco pelo estado Alasca, e saber da ambientação neste lugar, já deu vontade de ler heimm!

    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

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  7. Oi Nessa,
    Esse livro estava tãããão barato na Black Friday, mas eu marquei bobeira e não o comprei. Aff... Não acredito. Eu amo dramas familiares e meu único contato com a Kristin foi muito bom. Devia ter arriscado a compra!
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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