25/05/2019

Resenha: Dezesseis Luas - Kami Garcia e Margaret Stohl

Título original: Beautiful Creatures
Gênero: Romance/Young Adult
Páginas: 490
Editora: Galera Record
Classificação: 5/5
Comprar: Saraiva
O livro Dezesseis Luas, primeiro volume da série Beautiful Creatures, das americanas Kami Garcia e Margaret Stohl, nos traz uma história levemente assustadora, repleta de maldições, feitiços, reencarnação e bruxaria. Com personagens bem arquitetados e desenvolvidos e um pano de fundo incrivelmente gótico, a trama conseguiu me conquistar desde as suas primeiras páginas e se mostrou uma leitura envolvente, interessante e que, mesmo se tratando de um young adult, foge bastante dos estigmas do gênero.

A história se passa em Gatlin, uma cidade puritana, preconceituosa e sem grandes atrativos, além das encenações feitas periodicamente pelos seus moradores sobre a Guerra Civil. O adolescente Ethan Wate acalenta o sonho de deixar a cidade, que julga sem graça e pacata demais, mas se sente preso a ela por causa dos cuidados com o pai, um homem que se tornou totalmente recluso após o falecimento da esposa. Após ser atormentado por sonhos estranhos durante meses com uma certa garota, qual não é a surpresa de Ethan quando ela se materializa em sua sala de aula como a nova aluna do colégio, além de ser a sobrinha de Macon Ravenwood, um homem soturno e antissocial, acusado pelos vizinhos de morar em uma casa mal-assombrada.

Lena Duchannes se diferencia e muito dos habitantes de Gatlin, não só pela sua beleza exótica como também por ostentar um ar misterioso e incrivelmente atraente. Ethan se encanta com a jovem logo de início e sente uma profunda conexão com ela, como se os dois já tivessem se encontrado há muito tempo atrás, no melhor estilo déjà-vu. Lena é fortemente massacrada pelos alunos e pela população da cidade sulista, que acusam ela e toda sua família - uma das fundadoras de Gatlin - de bruxaria e toda sorte de feitiços. Mesmo em meio a este cenário inóspito, Ethan e Lena lutam para viverem sua história de amor e correm contra o tempo, que os ameaça implacavelmente com uma maldição pra lá de aterrorizante...

Dezesseis Luas traz elementos que muito me encantam em uma trama sobrenatural, ou seja, bruxaria, feitiçaria, maldição e uma boa dose de magia. Escrito à quatro mãos de forma sincronizada e com fatos bem costurados entre si, a trama é envolta de mistério do início ao fim e é norteada por personagens carismáticos, envolventes e repletos de facetas. Narrado em primeira pessoa por Ethan, de forma bem linear e sem traços de melosidade, temos o ponto de vista apurado de um protagonista do sexo masculino, assim como seus anseios, desafios e sentimentos ao longo do enredo.

Ethan é um dos pontos fortes da trama de Kami Garcia e Margaret Stohl, não só por nos apresentar a história sob um paradigma diferente dos demais young adults, como também por ser um personagem cheio de empatia, carisma e coragem. O seu amor por Lena é o combustível que o motiva a ir além e enfrentar quantos perigos sejam necessários para tê-la ao seu lado, correndo o risco de perder até mesmo a vida para isso.

"Eu tinha Lena. Ela era poderosa e bonita. Cada dia era apavorante, e cada dia era perfeito."

Lena, por sua vez, luta com todas as forças contra a sua natureza, mas não consegue resistir a ela. Ela é uma Conjuradora (o que podemos definir de quase como uma bruxa), com poderes que tendem a ser benéficos ou maléficos, dependendo de como eles se firmem quando a moça completar dezesseis anos. Na sua família, podemos acompanhar os dois lados da moeda e é justamente isso que aterroriza Lena, pois ela sabe que se for tomada pelas trevas, não terá nenhum controle sobre isso. Por mais que relute a se entregar a paixão que sente por Ethan, ela sucumbe a este sentimento e teme pelo destino dos dois, pois não sabe o que os seus poderes lhe reservam.

"Às vezes gostaria de poder agir como todo mundo, mas não posso mudar quem eu sou."

Resumidamente, Dezesseis Luas é um livro incrivelmente interessante, permeado por uma atmosfera gótica envolvente e com personagens bem desenvolvidos e heterogêneos entre si. Entre eles, vale destacar o soturno Macon Ravenwood que, apesar da imagem que ostenta, tem um ótimo coração; Link, o amigo divertido e super despojado de Ethan; a supersticiosa e inteligente governanta dos Wate, Amma e Ridley, a prima de Lena que sucumbiu para o mal, mas que deixa várias vertentes na série a serem exploradas. Em 2013, foi feita uma adaptação homônima da obra para os cinemas, que acabou não agradando muito ao público. Contando no elenco com atores consagrados como Jeromy Irons e Viola Davis, o filme destonou um pouco do enredo, mas, pessoalmente falando, julgo que tenha os seus próprios atrativos. A capa do livro é muito bonita e diferente, tendo um fundo violeta com uma árvore e suas ramificações num tom prateado e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e diagramação de qualidade. Recomendo ☺


Confira o trailer do filme de Dezesseis Luas:



4 comentários:

  1. Oi Nessa,
    Eu assisti ao filme primeiro e depois fui tentar ler o livro, acredita que eu não conseguia me apegar?
    Preciso dar uma nova chance, já que fui louca e comprei toda a série de uma vez, em uma promoção! rs
    beijo
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  2. Olá Nessa tudo bem,


    Esse é um livro que eu gostaria muito de ler e a adaptação também, ótima resenha....bjs.


    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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  3. Olá! Comecei a ver um filme há alguns anos mas acabei largando pela metade por não achar tão interessante assim. Mas a gente sabe que o livro é sempre 100x melhor que suas adaptações cinematográficas, então talvez eu acabe lendo para ver se mudo de opinião :) Gosto muito de histórias de amores impossíveis.

    Beijos!
    Estante Bibliográfica > blog novo!

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  4. Oiii Nessa

    Eu quero assistir ao filme, tentei ler o liro mas acho que não era o momento certo porque acabei desistindo, não me prendia, mas pretendo tentar novamente futuramente.

    Beijos,

    www.derepentenoultimolivro.com

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